Ano eleitoral tem uma das atividades mais bizarras que eu tenho notícia, o tal do horário eleitoral gratuito.
Você tem duas opções não excludentes. A primeira é sentar e rir do naipe dos candidatos, em especial os dos partidos nanicos e radicais ortodoxos...
A segunda é sentar e chorar, já que este show de horrores irá representar a sua vontade perante este incrível circo demagógico chamado Brasil.
Crônicas e outras historinhas infames. Mal-humor, humor negro e outras coisinhas patológicas. Leia, reflita se for o caso, e não me amole.
terça-feira, agosto 29, 2006
domingo, agosto 27, 2006
Desde que me formei, tenho sido um funcionário público. Rodei as três esferas, mudei meu tipo de trabalho, mas ainda estou no público. Uma das grandes coisas que aprendi no serviço público foi a apreciar o café. E não estou falando do ritual sagrado de abandono regular das atividades laborativas, mas da bebida em si.
Apesar de ser um grande causador de azia (a cafeína relaxa o esfincter do esôfago) adaptei-me ao seu consumo. Desde que não exagere na dose. Aprecio o café forte e sem açucar, nada de águas sujas meladas... Não é regime ou coisa parecida, o açucar tira o gosto da bebida. E de tudo mais na verdade... Ainda não descobri se tenho algum efeito "psicotrópico" importante, mas não importa, bebo pelo sabor.
O café é originário da Etiópia, foi disseminado pelos árabes e segundo consta, é o segundo maior produto de comércio internacional, perdendo apenas para o petróleo. É estimado que um terço do que se consome de água é o volume consumido de café no mundo. Já tentaram provar que o café traz malefícios á saúde mas nada foi provado. Nem de malefícios nem de benefícios...
Beber café é uma das coisas mais universais que eu tenho notícia.
Apesar de ser um grande causador de azia (a cafeína relaxa o esfincter do esôfago) adaptei-me ao seu consumo. Desde que não exagere na dose. Aprecio o café forte e sem açucar, nada de águas sujas meladas... Não é regime ou coisa parecida, o açucar tira o gosto da bebida. E de tudo mais na verdade... Ainda não descobri se tenho algum efeito "psicotrópico" importante, mas não importa, bebo pelo sabor.
O café é originário da Etiópia, foi disseminado pelos árabes e segundo consta, é o segundo maior produto de comércio internacional, perdendo apenas para o petróleo. É estimado que um terço do que se consome de água é o volume consumido de café no mundo. Já tentaram provar que o café traz malefícios á saúde mas nada foi provado. Nem de malefícios nem de benefícios...
Beber café é uma das coisas mais universais que eu tenho notícia.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Em certas ocasiões da vida nos apaixonamos por uma idéia. Não sei se pelas circunstâncias, se pela sede ou por outra necessidade qualquer. Trasformamos essa idéia no mote do dia a dia, na razão de nossa existência. Essas idéias variam de conteúdo e de materialidade, de contexto e de motivação.
O ideante então tenta, contra todas as evidências e realidades, provar a si, e por vezes aos outros, que tal idéia pode ser algo mais que mera substância etérea. Por vezes, até sucedem, mas na maioria das vezes não logram êxitos, apenas frustrações.
É como bem sabemos, o mundo das idéias é perfeito. O ideal basta a si mesmo. Mas vá plantar feijões na aridez do real...
O ideante então tenta, contra todas as evidências e realidades, provar a si, e por vezes aos outros, que tal idéia pode ser algo mais que mera substância etérea. Por vezes, até sucedem, mas na maioria das vezes não logram êxitos, apenas frustrações.
É como bem sabemos, o mundo das idéias é perfeito. O ideal basta a si mesmo. Mas vá plantar feijões na aridez do real...
domingo, agosto 13, 2006
Estava a discutir qualquer bobagem, quando me brindaram com o óbvio. O tempo passa. Sim, é tudo que o tempo sabe fazer. A ampulheta simboliza ( e não mede) com precisão o conceito.
E como todas as coisas óbvias, esta também nos passa desapercebida. Talvez por só conseguir ver a areia escorrer, ou mensurar a já corrida, nunca temos a dimensão real da areia ainda por vir. Mas por que se preocupar com o imprevisível e inevitável?
A areia que corre é apenas um marco, um lembrete, não a coisa em si. A vida não é a areia que se foi, ou a que está por cair, mas no fluxo. Do realizado ao devir, mas fora de ambos. É aquele minúsculo e indefinível gargalo onde as areias do tempo passam de promessas a lembranças.
E como todas as coisas óbvias, esta também nos passa desapercebida. Talvez por só conseguir ver a areia escorrer, ou mensurar a já corrida, nunca temos a dimensão real da areia ainda por vir. Mas por que se preocupar com o imprevisível e inevitável?
A areia que corre é apenas um marco, um lembrete, não a coisa em si. A vida não é a areia que se foi, ou a que está por cair, mas no fluxo. Do realizado ao devir, mas fora de ambos. É aquele minúsculo e indefinível gargalo onde as areias do tempo passam de promessas a lembranças.
quinta-feira, agosto 10, 2006
Minha roseirinha tem me relembrado de minhas valorosas lições da botânica ( jardinagem na verdade...) aplicadas a vida. Tendo tido outrs roseirinhas, acxreditei que seria fácil tê-la sempre verdejante e florida. No "manual" de intruções dizia: "Muito sol e muita água, não deixe ajuntar água no pratinho". Simples. Descobri o lugar mais ensolarado da casa e regava duas vezes por dia. Toda vez que negligênciava minhas obrigações, ela murchava, mas retornava ao que era antes se corrigido o erro. Entretanto, com o tempo as folhas foram ficando secas e queimadas, as flores esturricaram e eu estupefato não compreendia nada. Até que reparei o vaso esquentava demais, o vento ajudava a secar a água do vaso.
Após uma poda providencial, galhos e flores secas, que só atrasam o crescimento do resto saudável, realoquei-a em um lugar mais protegido e menos ensolarado. Os botões ainda não apareceram, mas as folhas em brotamento já recuperaram o viço. Agora é tempo e torcer contra qualquer eventualidade.
Após uma poda providencial, galhos e flores secas, que só atrasam o crescimento do resto saudável, realoquei-a em um lugar mais protegido e menos ensolarado. Os botões ainda não apareceram, mas as folhas em brotamento já recuperaram o viço. Agora é tempo e torcer contra qualquer eventualidade.
quarta-feira, agosto 02, 2006
Ao olhar para trás nos últimos 4 anos não consigo admitir qualquer sentido. As coisas foram acontecendo, meio que a minha revelia... As coisas que desejei (ainda que pelos motivos equivocados...) não tive. As coisas que planejei, não aconteceram. As coisas que desisti, conquistei. E o amanhã? Não sei. Tudo é incerto, duvidoso, nebuloso... Arrependimentos? Vários... Tempo é muito precioso para se desperdiçar.
Abrace o caos e deixe-se conduzir por seus caminhos tortuosos. A liberdade é só mais uma ilusão.
Abrace o caos e deixe-se conduzir por seus caminhos tortuosos. A liberdade é só mais uma ilusão.
terça-feira, julho 25, 2006
Nunca fui um excelente enxadrista. Nunca tive muita disciplina para quase nada mesmo... Mas do xadrez, compreendi muitas coisas que tento aplicar na minha vida.
O importante é o rei, todas as demais peças são apenas ferramentas para mantê-lo vivo, mesmo que a custa de sacrifícios. Tanto apegar-se às peças , assim como sacrificá-las a troco de nada são caminhos certos à derrota.
Há mais coisas ao jogo que apenas o ganho material, a maioria numérica. O controle do centro, permite que você tenha uma maior influência sobre o tabuleiro, melhorando a eficência das suas peças. E há a coisa mais imaterial e importante de todas: A iniciativa. É ela quem determina quem dá as cartas e estabelece o ritmo do jogo. É ela quem determina quem é o caçador ou a presa.
O importante é o rei, todas as demais peças são apenas ferramentas para mantê-lo vivo, mesmo que a custa de sacrifícios. Tanto apegar-se às peças , assim como sacrificá-las a troco de nada são caminhos certos à derrota.
Há mais coisas ao jogo que apenas o ganho material, a maioria numérica. O controle do centro, permite que você tenha uma maior influência sobre o tabuleiro, melhorando a eficência das suas peças. E há a coisa mais imaterial e importante de todas: A iniciativa. É ela quem determina quem dá as cartas e estabelece o ritmo do jogo. É ela quem determina quem é o caçador ou a presa.
sábado, julho 22, 2006
Eu estou ficando cada vez mais tolerante com a vaidade alheia. Acho que a exposição excessiva está me fazendo menos irritado com ela. Deve ser uma espécie de instinto de sobrevivência, ou arrefecimento do reflexo pelo excesso...
Em compensação estou cada dia mais furioso com a preguiça alheia. Acho que deve ser minha "sindrome da eficiência" se manifestando...
Em compensação estou cada dia mais furioso com a preguiça alheia. Acho que deve ser minha "sindrome da eficiência" se manifestando...
quinta-feira, julho 20, 2006
Eu não tenho o hábito de ir ao cemitério do Bonfim. Não que as pessoas tenham algum hábito do gênero, é mais questão de "ordem social". Sendo o Bonfim um cemitério de famílias tradicionais e mais endinheiradas, tenho poucas oportunidades de lá dar as caras. Não que os ricos não morram, eu só não os conheço o suficiente para lhes velar os corpos. Meus mortos geralmente vão para a Colina, mais humilde e condizente com minha vida.
É como cantam: "Quem não tem balangandãs, não vai pro Bonfim".
É como cantam: "Quem não tem balangandãs, não vai pro Bonfim".
sábado, julho 15, 2006
É claro que esperar que as coisas aconteçam sozinhas é uma estratégia viável! Mesmo que estejamos parados, o universo continua a se manifestar.
Façamos a seguinte experiência: Não toque em nada por duas semanas. Se ainda estiver vivo (ou interessado) verá que as coisas continuam acontecendo!
Livros juntam poeira, pão cria bolor, frutas apodrecem, plantas secam e contas vencem.
Façamos a seguinte experiência: Não toque em nada por duas semanas. Se ainda estiver vivo (ou interessado) verá que as coisas continuam acontecendo!
Livros juntam poeira, pão cria bolor, frutas apodrecem, plantas secam e contas vencem.
Outro dia alguém me disse que eu sofria de "sindrome de eficiência". Embora desconheça tal entidade clínica e não saiba exatamente o que ela quer dizer, devo admitir que devo ser afligido por tal moléstia.
Não suporto ficar discutindo o sexo dos anjos enquanto a vida clama por soluções, destesto refazer o que já fiz a contento uma vez, me apavoro diante do trânsito lento.
Nada contra caminhadas idílicas e momentos de relaxamento quando oportunos, mas gastar 2 centavos em algo que merece 1, é desperdício. E como o tempo é limitado e inclemente, tudo tem uma certa urgência.
Não suporto ficar discutindo o sexo dos anjos enquanto a vida clama por soluções, destesto refazer o que já fiz a contento uma vez, me apavoro diante do trânsito lento.
Nada contra caminhadas idílicas e momentos de relaxamento quando oportunos, mas gastar 2 centavos em algo que merece 1, é desperdício. E como o tempo é limitado e inclemente, tudo tem uma certa urgência.
sexta-feira, julho 07, 2006
Acordo pela manhã. Meu travesseiro e minha cama está cheia de cabelos. A maioria é minha... Apóas uma breve inspeção de meus aposentos, noto uma quantidade considerável de pêlos pelos cantos. Rumo então automaticamente ao banheiro, próximo santuário do ritual diário. Pêlos pelo chão, nas paredes e no box do chuveiro, no sabonete, na pia.
Incrível como quando a mão mágica e silenciosa da ordem se ausenta, as coisas seguem seu curso natural. Alías, natural é a palavra mais adequada. Eu, mamífero e primata, simeóide semi-inteligente, não tenho como fugir de mim mesmo.
Acho que terei de ser mais condescendente com os meus irmãozinhos, os pequenos mamíferos domésticos.
Incrível como quando a mão mágica e silenciosa da ordem se ausenta, as coisas seguem seu curso natural. Alías, natural é a palavra mais adequada. Eu, mamífero e primata, simeóide semi-inteligente, não tenho como fugir de mim mesmo.
Acho que terei de ser mais condescendente com os meus irmãozinhos, os pequenos mamíferos domésticos.
domingo, julho 02, 2006
Sábado a tarde... Todos prometiam públicos recordes, muita animação e bebedeira. Entretanto adentro a praça da Bandeira, quase deserta, prossigo pela Bandeirantes, também as moscas, desco a Montes Claros rumo ao que era há alguns dias atrás o point da galera nos jogos da copa. Igualmente desolada, com alguns gatos pingados escorrendos pelos cantos... Não consigo disfarçar um discreto sorriso de satisfação...
Mas alto lá! Não me chamem de infiel, contra-patriota, de entreguista! Deixe me esclarecer meu ponto de vista: eu acredito na vitória do mérito. Jogamos mal, perdemos, agora de volta pra casa.
Segundo, ficar aqui discutindo sobre futebol está encobrindo assuntos muito mais relevantes para o futuro deste pobre país... Mas nisto eu já estou ficando repetitivo e poupo-lhes.
Terceiro, a copa estava tornando minha vida impraticável. Todo meu tempo disponível para assuntos administrativos era ocupado por partidas da selecinha, e portanto indisponíveis de fato.
E quarto, a histéria acabou. Diz a sabedoria popular que histeria é falta de falo. Estranhamente, a seleção recebeu a sua cota, e toda histeria sobre copa do mundo acabou-se por completo... Remédio milagroso!
Mas alto lá! Não me chamem de infiel, contra-patriota, de entreguista! Deixe me esclarecer meu ponto de vista: eu acredito na vitória do mérito. Jogamos mal, perdemos, agora de volta pra casa.
Segundo, ficar aqui discutindo sobre futebol está encobrindo assuntos muito mais relevantes para o futuro deste pobre país... Mas nisto eu já estou ficando repetitivo e poupo-lhes.
Terceiro, a copa estava tornando minha vida impraticável. Todo meu tempo disponível para assuntos administrativos era ocupado por partidas da selecinha, e portanto indisponíveis de fato.
E quarto, a histéria acabou. Diz a sabedoria popular que histeria é falta de falo. Estranhamente, a seleção recebeu a sua cota, e toda histeria sobre copa do mundo acabou-se por completo... Remédio milagroso!
sexta-feira, junho 30, 2006
Das minhas longas e esporádicas batalhas com varais de roupa, aprendi que o primeiro varal é relutante. Se esforça de todas as maneiras em me frustrar os intentos. Buchas e parafusos que não seguram, cordas que se recusam a compartilhar comprimentos, nós que se desfazem como que por magia...
O segundo varal entretanto, vendo toda aquela vã faina, compreende que todo esforço é inútil, e se entrega docemente a seu destino.
O segundo varal entretanto, vendo toda aquela vã faina, compreende que todo esforço é inútil, e se entrega docemente a seu destino.
terça-feira, junho 27, 2006
Tem dias que me pego pensando no passado. As coisas que acreditei, as pessoas que acreditei, as coias que tive de viver e sobreviver... Tanta coisa mudou, tanta coisa desmoronou... E outras surgiram no lugar, meio tímidas e temerosas, mas resolutas.
Mas o vazio permanece, a sede permanece, sempre me lembrando que o mundo pode mudar de aparência, mas as verdadeiras questões continuam.
Mas o vazio permanece, a sede permanece, sempre me lembrando que o mundo pode mudar de aparência, mas as verdadeiras questões continuam.
segunda-feira, junho 26, 2006
Limbo. Segundo a tradição cristã, é o lugar onde as almas que não pecaram, mas não foram batizadas vão parar. São basicamente dois possibilidades... Crianças que morrem muito precocemente ou pessoas que nasceram antes de Cristo, e portanto não puderam "aceitá-lo".
O raciocínio é simples. Não merecem o inferno, mas não cumprem o protocolo para vislumbrar o paraíso. Então ficam ali na meiuca, meio perdidos naquela terra de ninguém, nas frestas das leis celestiais...
O raciocínio é simples. Não merecem o inferno, mas não cumprem o protocolo para vislumbrar o paraíso. Então ficam ali na meiuca, meio perdidos naquela terra de ninguém, nas frestas das leis celestiais...
terça-feira, junho 20, 2006
Então resolveram ressucitar a Unilar, a feira de "utilidades" domésticas. Andava sumida uns anos, parece que caiu na mesmice. Me juntei a meu irmão, outro entusiasta dos avanços da modernidade em sua casa, e fomos conferir a nova edição.
Já na porta uma especie de exposição de paisagismo... Esses jardins modernos de pedra, vai entender... Ao entrar no pavilhão, móveis! Coisas do bom e do mal gosto, mas de preço sempre "fino". Mais alguns estandes adiante, uma espécie de bazar de roupas e acessórios. Lojas de acabamento, azulejos... Até que enfim a velha Unilar se manifestou em seu completo esplendor: Estandes vendendo raladores de vegetais milagrosos, santos Grills, rodos mágicos, rodinhos magnéticos e toda sorte de produtos que me lembram saudosamente o início dos canais de compra... Mas não há nada inovador, as quinquilharias continuam as mesmas. Compro dois rodinhos magnéticos, um para uso pessoal, outro para realização de uma dona de casa convicta, e rumo em direção a saída. Posso passar mais dez anos sem Unilar.
Já na porta uma especie de exposição de paisagismo... Esses jardins modernos de pedra, vai entender... Ao entrar no pavilhão, móveis! Coisas do bom e do mal gosto, mas de preço sempre "fino". Mais alguns estandes adiante, uma espécie de bazar de roupas e acessórios. Lojas de acabamento, azulejos... Até que enfim a velha Unilar se manifestou em seu completo esplendor: Estandes vendendo raladores de vegetais milagrosos, santos Grills, rodos mágicos, rodinhos magnéticos e toda sorte de produtos que me lembram saudosamente o início dos canais de compra... Mas não há nada inovador, as quinquilharias continuam as mesmas. Compro dois rodinhos magnéticos, um para uso pessoal, outro para realização de uma dona de casa convicta, e rumo em direção a saída. Posso passar mais dez anos sem Unilar.
domingo, junho 18, 2006
Eu até acho tolerável que tudo que se veja na televisão, nas ruas e outros ajuntamentos sociais em época de copa do mundo se refira ao futebol. Afinal, lidando com paixão como esta, histeria como esta, nada mais natural que ao tentar convencer alguém de comprar algo que ela não realmente precisa , remeter aos seus apetites mais vorazes, parece uma estratégia bem viável. É jogo baixo, mas o comércio nunca foi o reino da ética mesmo...
O que eu acho insuportável de fato é como qualquer assunto, por mais sério que seja, fique aí cheio de comentários e expressões do futebol.
O que eu acho insuportável de fato é como qualquer assunto, por mais sério que seja, fique aí cheio de comentários e expressões do futebol.
sexta-feira, junho 09, 2006
Homo habilis
O homo habilis foi um ancestral humano já extinto conhecido por ter sido o primeiro a usar ferramentas de pedra lascada, de onde deriva seu nome.
A espécie humana, apesar da relativa fragilidade, conseguiu dominar todo o globo graças ao seu suposto intelecto superior e o tal do polegar opositor. Simplesmente porque conseguiu criar ferramentas que supriam suas muitas deficiências.
Mas no fundo no fundo ainda somos muito homo habilis. Talvez as fêmeas da espécie não compreendam, mas as ferramentas ainda tem um fascínio real sobre os machos. O verdadeiro macho homo habilis não só tem de ter as suas próprias ferramentas, mas ele tem de escolhê-las a dedo. Afinal é através delas que ele curvará o mundo sob sua vontade. Embora precise de poucas ferramentas para o uso corriqueiro, ele sempre vai ter um brilho no olhar enquanto admira uma furadeira nova. O homo habilis também despreza outros "machos" que não tem suas próprias ferramentas e não consegue manter sua "toca" em ordem, podendo inclusive considera-los efeminados. Mas não recusa ajudar e sente-se satisfeito em trazer as coisas ao normal, mesmo que isto lhe custe muitas horas de trabalho. Sendo obstinado, jamais largará um projeto enquanto não lhe estiver a contento.
O homo habilis prefere o trabalho solitário, mas se a tarefa é grande verdadeiros bandos barulhentos podem ser vistos abordando o problema.
Embora se sinta apto a realizar qualquer tarefa, muitas vezes é obrigado a reconhecer suas fraquezas e pedir ajuda. Invariavelmente tarde demais.
A espécie humana, apesar da relativa fragilidade, conseguiu dominar todo o globo graças ao seu suposto intelecto superior e o tal do polegar opositor. Simplesmente porque conseguiu criar ferramentas que supriam suas muitas deficiências.
Mas no fundo no fundo ainda somos muito homo habilis. Talvez as fêmeas da espécie não compreendam, mas as ferramentas ainda tem um fascínio real sobre os machos. O verdadeiro macho homo habilis não só tem de ter as suas próprias ferramentas, mas ele tem de escolhê-las a dedo. Afinal é através delas que ele curvará o mundo sob sua vontade. Embora precise de poucas ferramentas para o uso corriqueiro, ele sempre vai ter um brilho no olhar enquanto admira uma furadeira nova. O homo habilis também despreza outros "machos" que não tem suas próprias ferramentas e não consegue manter sua "toca" em ordem, podendo inclusive considera-los efeminados. Mas não recusa ajudar e sente-se satisfeito em trazer as coisas ao normal, mesmo que isto lhe custe muitas horas de trabalho. Sendo obstinado, jamais largará um projeto enquanto não lhe estiver a contento.
O homo habilis prefere o trabalho solitário, mas se a tarefa é grande verdadeiros bandos barulhentos podem ser vistos abordando o problema.
Embora se sinta apto a realizar qualquer tarefa, muitas vezes é obrigado a reconhecer suas fraquezas e pedir ajuda. Invariavelmente tarde demais.
sábado, junho 03, 2006
Negatoando pela cidade não posso deixar de reparar na quantidade de bares e congêneres tocando samba. Mas é samba mesmo! Não essa porcariada prestigiada pela "grande" mídia. Cheguei a ficar a vontade em uma grande festa aqui dessas plagas, nem precisei fingir, era música do meu agrado! Coisas que eu tenho ou queria ter em casa.
O fato é que, com grande constrangimento, devo admitir que estou na moda...
O fato é que, com grande constrangimento, devo admitir que estou na moda...
segunda-feira, maio 29, 2006
E então cá estamos novamente ás vésperas de mais uma copa do mundo de futebol... O país em pleno mar de lama, com todas as suas instuições em cheque, impunidade em rompante, eleições à vista e nós aqui preocupados em ser hexacampeões do mundo.
Não basta o carnaval anual, temos de ter o super carnaval de 4 em 4 anos... Que curiosamente coincide com as principais eleições desta federação...
E uma pesquisa aí diz que o brasileiro é um dos cidadãos mais felizes do mundo... Muito circo, pouco pão... Parece que basta...
Não basta o carnaval anual, temos de ter o super carnaval de 4 em 4 anos... Que curiosamente coincide com as principais eleições desta federação...
E uma pesquisa aí diz que o brasileiro é um dos cidadãos mais felizes do mundo... Muito circo, pouco pão... Parece que basta...
quinta-feira, maio 25, 2006
Certa manhã dessas, sem nenhuma particular significância, fora o frio desanimador, me decidi a voltar a correr. Mas por que meu Deus? O que levaria alguém a escolher uma gélida manhã belo horizontina como ponto de partida para algo que nem julga lá muito agradável? A resposta é muito simples. Se como num parto, alguém consegue largar o calor e conforto de seu leito para enfrentar uma manhã glacial, sem nenhum tipo de ganho secundário, o que é que essa pessoa não pode fazer?
A vida é a vitória da vontade sobre as circunstâncias. E nada como renascer diariamente, disposto a mudar as coisas.
A vida é a vitória da vontade sobre as circunstâncias. E nada como renascer diariamente, disposto a mudar as coisas.
terça-feira, maio 16, 2006
Em São Paulo um grupo de criminosos desafia o sistema vigente, em uma marcante demonstração de poder, atacando autoridades e bens públicos, deixando a população aterrorizada.
Em Brasília, é descoberto um esquema de superfaturamento de ambulâncias que pode envolver apenas um terço de toda a câmara.
E você cidadão de bem? Onde entra nessa história? Refém de um país onde manda a malandragem... Um estado de direito, mas não de fato...
Não consigo deixar de me sentir um pateta quando voto.
Em Brasília, é descoberto um esquema de superfaturamento de ambulâncias que pode envolver apenas um terço de toda a câmara.
E você cidadão de bem? Onde entra nessa história? Refém de um país onde manda a malandragem... Um estado de direito, mas não de fato...
Não consigo deixar de me sentir um pateta quando voto.
quarta-feira, maio 03, 2006
Alguém inventou uma lenda aí que versa sobre o compleição de um ciclo de vida. Um ciclo que se completa em plenitude! Não essas porcariadas que vemos por aí molhando fraldas, botando defeito nas coisas e desistimulando a turma a chegar lá. Mas enfim, a tal plenitude seria atingida com o plantar de uma árvore, a concepção de uma criança e a feitura de um livro.
Felizes tempos estes os nossos! As árvores são facílimas de serem plantadas! Qualquer um já fez isto, mesmo que de má vontade e inconcientemente. Até os passarinhos plantam árvores. Filhos então? Fichinha! Tá todo mundo tendo. Ou pelo menos tentando... Deus dá, Deus cria. Mas livro então tá cada dia mais fácil. Imagine só, para fazer um livro hoje o sujeito não nem precisa ser formalmente alfabetizado!
Só nao se realiza quem não quer.
Felizes tempos estes os nossos! As árvores são facílimas de serem plantadas! Qualquer um já fez isto, mesmo que de má vontade e inconcientemente. Até os passarinhos plantam árvores. Filhos então? Fichinha! Tá todo mundo tendo. Ou pelo menos tentando... Deus dá, Deus cria. Mas livro então tá cada dia mais fácil. Imagine só, para fazer um livro hoje o sujeito não nem precisa ser formalmente alfabetizado!
Só nao se realiza quem não quer.
sexta-feira, abril 28, 2006
Segundo consta nos livros um homem foi preso, condenado por juri popular, açoitado, vestido com uma coroa de espinhos, obrigado a carregar morro acima uma tora de madeira com a qual seria mais tarde devidamente crucificado entre dois ladrões. Alegaram que ele se intitulava rei... Ainda assim, ao ver se aproximar a hora final, voltou seus olhos ao céu e clamou: "Oh Pai, perdoai-os! Eles não sabem o que fazem"!
Espero que a desculpa tenho sido aceita, afinal não progredimos muito nesses dois milênios...
Espero que a desculpa tenho sido aceita, afinal não progredimos muito nesses dois milênios...
quarta-feira, abril 26, 2006
Hienas, ao contrário do que se imagina não são canídeos. Elas têm uma família própria, a Hyaenidae e estão muito mais próximas aos felinos que aos caninos. Famosas pelo seu hábito de comer carniça, são entretanto exímias caçadoras. Geralmente caçam sozinhas e tem preferência a presas fracas e doentes, embora sejam capazes de matar presas grandes e saudáveis. Caçam em bando quase acidentalmente, com os seus grunhidos atraindo outras hienas. Tem muita inteligência, equiparando-se a alguns primatas, adaptando seu estilo de caça as necessidades. Tem uma mandíbula poderosa e um estômago com acidez incomum, garantindo assim um aproveitamento muito melhor da presa, chegando inclusive a digerir ossos e dentes em menos de 24 horas. Apesar de hábeis caçadoras, elas obviamente preferem se alimentar de carcaças ou tomar as presas mortas de outros animais. Principalmente se estiverem em grandes números. Basta ser oportuno. Hienas comem carcaças de outros animais mortos, incluindo outras hienas.
Hienas vivem em clãs e seus membros são muito mais competitivos e menos cooperativos que os de seus colegas mamíferos, mas dentro clã a vida é bem pacífica. Entretanto há sangrentas batalhas entre clãs distintos pelo controle do território. Os clãs tem uma fêmea dominante, os machos geralmente são errantes.
As hienas não têm parceiros fixos, e geralmente pertencem a clãs diferentes. Devido a grande agressividade da fêmea, o processo de corte é sempre algo arriscado para o macho. Cada ninhada tem de 1 a 4 filhotes, que já nascem com dentes e de olhos abertos. Brigas entre os filhotes são comuns e boa parte deles morre por este motivo. Os filhotes do clã ficam juntos, mas não recebem nenhum tipo de atenção pelos adultos. O leite da hiena é particularmente nutritivo, permitindo assim que a mãe possa abandonar os filhotes para caçar por até uma semana.
Leões costumam tomar as presas de hienas com mais freqüência que o contrário. Parece haver uma animosidade entre as espécies... Leões matam hienas sem nenhuma provocação. Hienas perseguem leoas mesmo depois dela ter abandonado a caça. Cães selvagens também têm suas diferenças com as hienas e atacam se oportuno.
Hienas vivem em clãs e seus membros são muito mais competitivos e menos cooperativos que os de seus colegas mamíferos, mas dentro clã a vida é bem pacífica. Entretanto há sangrentas batalhas entre clãs distintos pelo controle do território. Os clãs tem uma fêmea dominante, os machos geralmente são errantes.
As hienas não têm parceiros fixos, e geralmente pertencem a clãs diferentes. Devido a grande agressividade da fêmea, o processo de corte é sempre algo arriscado para o macho. Cada ninhada tem de 1 a 4 filhotes, que já nascem com dentes e de olhos abertos. Brigas entre os filhotes são comuns e boa parte deles morre por este motivo. Os filhotes do clã ficam juntos, mas não recebem nenhum tipo de atenção pelos adultos. O leite da hiena é particularmente nutritivo, permitindo assim que a mãe possa abandonar os filhotes para caçar por até uma semana.
Leões costumam tomar as presas de hienas com mais freqüência que o contrário. Parece haver uma animosidade entre as espécies... Leões matam hienas sem nenhuma provocação. Hienas perseguem leoas mesmo depois dela ter abandonado a caça. Cães selvagens também têm suas diferenças com as hienas e atacam se oportuno.
terça-feira, abril 25, 2006
sexta-feira, abril 21, 2006
Não há nenhuma virtude em procurar o prazer ou evitar a dor. O contrário, no entanto, soa completamente insensato. A virtude está no caminho do meio, na sabedoria de quais prazeres devem ser gozados e de quais sofrimentos devem ser suportados. Mesmo por que uma vida de prazeres se torna insossa, e uma vida de atribulações se torna insuportável.
terça-feira, abril 18, 2006
Catarse, vem do grego, kátharsis para purificação, purgação, limpeza.
Usado em medicina para se referir à evacuação. Acreditava-se em efeitos benéficos de provoca-la. E portanto criou 3 categorias de remédios: os laxantes, os catárticos e os drásticos, cada qual com efeito mais poderoso.
Na psicanalise, catarse é o nome da técnica que visa reviver lembranças traumáticas e inconcientes, desencadeando fortes emoções e "descarregando" a mente do indivíduo, propiciando a cura.
No teatro, catarse é a purificação da alma alcançada pela descarga emocional provocada pelo drama. Para tal o herói deveria se tornar infeliz pelos seus próprios atos, e não pelo acaso. (Catarse para o público, não para o héroi).
Usado em medicina para se referir à evacuação. Acreditava-se em efeitos benéficos de provoca-la. E portanto criou 3 categorias de remédios: os laxantes, os catárticos e os drásticos, cada qual com efeito mais poderoso.
Na psicanalise, catarse é o nome da técnica que visa reviver lembranças traumáticas e inconcientes, desencadeando fortes emoções e "descarregando" a mente do indivíduo, propiciando a cura.
No teatro, catarse é a purificação da alma alcançada pela descarga emocional provocada pelo drama. Para tal o herói deveria se tornar infeliz pelos seus próprios atos, e não pelo acaso. (Catarse para o público, não para o héroi).
quarta-feira, abril 12, 2006
sábado, abril 08, 2006
Palhaço: Na teoria geral do circo, um artista que com seus trajes e maquiagem se dedica à entreter o público com seu tipo de humor característico. Adeptos do humor pastelão, já nào encantam como antigamente. Alías, o circo já não encanta como antigamente. Embora não pareça, existe uma complexa (e batida) teoria de funcionamento do chamado palhaço, que inclui contrastes e papéis específicos, além de um conflito básico. Não entrarei em detalhes, mesmo porque, não sei dos detalhes. Sugiro para tal assistir à alguns episódios de "Os Trapalhões". Os antigos, por favor...
Mas o fato em questão é outro. Devido as peculiaridades de seu traje e maquiagem, o palhaço padrão é extremamente inflamável, mas não explosivo. Nas circunstâncias em que o circo pega fogo, este pobre integrante está sob enorme risco de se inflamar. E um palhaço em combustão é sempre um espetáculo, ainda mais em um contexto de circo em chamas. Verdade indubitável: Quando o circo pega fogo, o palhaço morre queimado. Para o deleite do respeitável público.
Mas o fato em questão é outro. Devido as peculiaridades de seu traje e maquiagem, o palhaço padrão é extremamente inflamável, mas não explosivo. Nas circunstâncias em que o circo pega fogo, este pobre integrante está sob enorme risco de se inflamar. E um palhaço em combustão é sempre um espetáculo, ainda mais em um contexto de circo em chamas. Verdade indubitável: Quando o circo pega fogo, o palhaço morre queimado. Para o deleite do respeitável público.
quinta-feira, abril 06, 2006
Esse negócio de direita e esquerda pra mim não existe. Originalmente criado pelo hábito de girondinos e jacobinos de sentar nas respectivas áreas, a coisa, de referência parlamentar, virou referência política. O fato é que se você sentar um girondino na parte esquerda do parlamento, ele não se torna um jacobino. Ou assim deveria ser... E há claro os famosos sans-cullotes...
Visto o caos ideológico do "gigante deitado eternamente", onde posição é definida por auto-proclamação e não por comportamento, proponho mudar a orientação política para outra dimensão do plano cartesiano.
Deveriamos agora ter os "por cima" e os "por baixo". E o muro é óbvio.
Visto o caos ideológico do "gigante deitado eternamente", onde posição é definida por auto-proclamação e não por comportamento, proponho mudar a orientação política para outra dimensão do plano cartesiano.
Deveriamos agora ter os "por cima" e os "por baixo". E o muro é óbvio.
domingo, abril 02, 2006
O cara que teve a idéia de colocar nossos animais em extinção no verso de nossas notas é um gênio. Pelo menos no plano das idéias. Veja bem: ele imortalizou as pobres criaturas no mesmo agente que as leva a aniquilação. Genial! Assim enquanto houver dinheiro, haverá araras-azuis.
Resta saber se os botos preferem viver em pacífico ostracismo ou serem eternamente relembrados, do além túmulo, em um pedaço de papel.
Resta saber se os botos preferem viver em pacífico ostracismo ou serem eternamente relembrados, do além túmulo, em um pedaço de papel.
quarta-feira, março 29, 2006
Certa feita, discutia com um professor sobre as "self-fullfilling prophecies". é mais ou menos o seguinte:
Você acorda no meio da noite e repara em um pequeno e inicial incêndio dentro de sua casa. Após longa reflexão você conclui com grande perspicáciae profetisa: "Em algumas horas, toda minha casa estará em cinzas e se eu sobreviver, estarei na merda". Aí você vira de lado e dorme ou passa noite se lamentando enquanto as chamas devoram tudo.
Você acorda no meio da noite e repara em um pequeno e inicial incêndio dentro de sua casa. Após longa reflexão você conclui com grande perspicáciae profetisa: "Em algumas horas, toda minha casa estará em cinzas e se eu sobreviver, estarei na merda". Aí você vira de lado e dorme ou passa noite se lamentando enquanto as chamas devoram tudo.
segunda-feira, março 27, 2006
Eu acho muito curioso crianças fazendo birra. Esperneiam, fazem ameaças, dizem as coisas mais estranhas, alguns chegam a se mutilar, prender a respiração para morrer... Um espetáculo para o observador casual. A primeira constatação sobre este peculiar ritual é que ele demanda uma grande quantidade de energia. Portanto ele só deve valer a pena se for vitória garantida... Pais que não cedem a birra tendem a ter crianças menos birrentas. Afinal, se você gasta joules e maios joules em seu espetáculo apoteótico e apocalipitico, apenas para se achar rolando pateticamente no chão ao olhar indiferente ou galhofeiro de outrem, você vai pensar duas vezes antes de tentar isto de novo.
Faça um favor a uma criança, não ceda a birra. É nesta hora que elas tem de aprender que ficar fazendo beicinho não resolve nada e que elas precisam arrajar meios mais eficientes de conseguirem o que querem. A humanidade agradece.
Faça um favor a uma criança, não ceda a birra. É nesta hora que elas tem de aprender que ficar fazendo beicinho não resolve nada e que elas precisam arrajar meios mais eficientes de conseguirem o que querem. A humanidade agradece.
segunda-feira, março 13, 2006
Não viaje com crianças de colo. Elas não aproveitam a viagem, você não aproveita a viagem, os circunstantes inocentes não aproveitam a viagem. Tente passar 10 horas trancado em um "avião creche", onde você é chutado regularmente, tem seu cabelo puxado regularmente e apesar de se comportar como um verdadeiro gentleman, e é obrigado a sorrir enquanto aquelas gracinhas tentam por o pulmão para fora pela boca. Eu sei que elas não tem culpa, pois não tem compreensão das coisas. Mas os pais deveriam ter. Só me faz temer pelas gerações futuras. Dizem que o Qi esta crescendo com as gerações. Pena que não tenhamos capacidade para educa-las. Definitivamente, não somos bons exemplos.
Estou quase propondo as companhias aéreas que crianças pequenas deveriam viajar em caixas.
No kids, pets allowed. Quanto tempo eu não ouvia isto...
Estou quase propondo as companhias aéreas que crianças pequenas deveriam viajar em caixas.
No kids, pets allowed. Quanto tempo eu não ouvia isto...
sábado, março 04, 2006
O mundo está cheio de coisas estranhas, sem explicações adequadas. poderes sobrenaturais por exemplo. Aposto que tem muita gente com capacidades incomuns, inexploradas ou até por descobrir. Eu por exemplo descobri que posso fazer chover. Não chega a ser igual ao Paulo Coelho, ou algo visualmente impressionante. É apenas um ritual, cujos detalhes não revelarei, mas adianto que não envolve sapos, fogueiras ou danças ridículas.
Mas devo confessar duas coisas. A primeira é que evito exercer meu poder. Seja pelo medo de ser punido pela minha interferência nos caminhos naturais ou então de me revelar mais uma fraude... E a segunda é que já me manifestei em benefício próprio e de maneira mesquinha e infantil. Mas confesso também que me diverti...
Nunca vi uma passagem de comando tão encharcada na minha vida.
Mas devo confessar duas coisas. A primeira é que evito exercer meu poder. Seja pelo medo de ser punido pela minha interferência nos caminhos naturais ou então de me revelar mais uma fraude... E a segunda é que já me manifestei em benefício próprio e de maneira mesquinha e infantil. Mas confesso também que me diverti...
Nunca vi uma passagem de comando tão encharcada na minha vida.
sábado, fevereiro 18, 2006
Nada mais inútil que brigar por uma opinião. Afinal, delas o mundo está cheia, todos tem mais que um punhado delas e ninguém evita de distribuí-las a quem quer que seja, solicitadas ou não. Então como é que alguma coisa tão abundante pode ter valor? Vá a qualquer lugar, pergunte a qualquer um sobre qualquer coisa. Todo mundo tem uma opinião. Ou mais de uma...
Opinar não dói. Opinar não custa dinheiro. Mas opinar costuma nos expor, mostrar os verdadeiros idiotas que somos. Mas os outros idiotas não costumam reparar, afinal eles querem dar opiniões, não receber.
Ainda assim algumas pessoas valorizam as próprias opiniões acima da média. Ora, convenhamos, se elas valem tanto assim, não é muito mais prudente deixá-las guardadas em lugar seguro, junto à seu dono? Pérolas aos porcos...
Estou me referindo, obviamente, as opiniões corriqueiras. Para decisões importantes, é preciso de opiniões importantes. Há inclusive muita gente recebendo para dar opinião. E nada é tão bem remunerado. Essas sim tem grande valia, o difícil é suportar a vaidade do emissor da verdade suprema. Os verdadeiros oráculos, ou as vezes o próprio Apolo ou Atena.
Opinar não dói. Opinar não custa dinheiro. Mas opinar costuma nos expor, mostrar os verdadeiros idiotas que somos. Mas os outros idiotas não costumam reparar, afinal eles querem dar opiniões, não receber.
Ainda assim algumas pessoas valorizam as próprias opiniões acima da média. Ora, convenhamos, se elas valem tanto assim, não é muito mais prudente deixá-las guardadas em lugar seguro, junto à seu dono? Pérolas aos porcos...
Estou me referindo, obviamente, as opiniões corriqueiras. Para decisões importantes, é preciso de opiniões importantes. Há inclusive muita gente recebendo para dar opinião. E nada é tão bem remunerado. Essas sim tem grande valia, o difícil é suportar a vaidade do emissor da verdade suprema. Os verdadeiros oráculos, ou as vezes o próprio Apolo ou Atena.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Os homens não são iguais. Veja os mártires, homens cuja causa é maior que a vida, cuja luta dá significado a própria existência. E veja os soldados, homens comuns, também empenhados em uma causa, mais pelos seus efeitos do que por seus ideais. Enquanto o mátir luta por idéias, o soldado se preocupa com o futuro, com sua família. Primeiro está a sobrevivência. O soldado tem de sobreviver para continuar lutando, na esperança de um dia enfim poder parar de lutar.
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Muitas vezes nossos esforços não são recompensados (ou nem perto disto...) não por que não haja merecimento ou por que o esforço não é suficiente. As vezes só estamos empurrando a porta pelo lado errado.
Há muitas maneiras de se tentar conseguir uma coisa. Nem todas serão adequadas, nem todas serão fáceis.
Mas se eu tivesse de falar com alguém, eu usaria o email.
Há muitas maneiras de se tentar conseguir uma coisa. Nem todas serão adequadas, nem todas serão fáceis.
Mas se eu tivesse de falar com alguém, eu usaria o email.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
A verdade matemática é infalível, como todas as ciências ideais. Dois e dois são sempre quatro. O problema é que o mundo real é bem diferente do mundo das idéias (também conhecido como mundo ideal). Não que dois e dois não sejam quatro. O problema é que as coisas parecem com dois, lembram dois e portanto devem ser mais ou menos quatro. O problema não é a lógica, é a medida.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Ser do contra é uma arte. Das mais refinadas. As pessoas não entendem que podemos defender ferrenhamente pontos de vista que jamais concordaremos. Alguns fazem para pirraçar, outros para exercitar o poder de argumentação. Eu o faço por ambos e como uma prática de "perspectiva". Ao ser do contra você tem que se colocar em outra posição, fugir dos lugares comuns, tentar entender a questão em outro ponto de vista. Se não não tem graça, vira briga de menino pequeno birrento, do tipo "Você é burro. Não, você é burro". É mais na linha do "quem discorda, acrescenta". Não essa baboseira adolescente de discordar para parecer inteligente, independente e malvado.
Neste mundo louco e estúpido é dificil arranjar bons debatedores. A maioria só repete o que mal entendeu na televisão. Sejam eles a favor ou do contra.
Neste mundo louco e estúpido é dificil arranjar bons debatedores. A maioria só repete o que mal entendeu na televisão. Sejam eles a favor ou do contra.
domingo, janeiro 29, 2006
Alguém* certa vez disse: "Eu sou eu e minhas circunstâncias". Concordo e acrescento: A vida é circunstância e opção. A cada dia acredito que é muito mais circusntância e que nossas opções em verdade se restringem muito, sendo apenas em número de meia dúzia, as outras são apenas consequências imediatas das opções reais. Axiomas e corolários...
Mas as circunstâncias estão fora de nosso controle, então são as opções que nos tornam diferentes uns dos outros e que nos torna também responsáveis pelo nosso próprio destino. Segundo a tradição Judaico-cristã Deus é bom e onipotente, mas dotou-nos do livre arbítrio. Uma explicação bem interessante em porque um ser tão poderoso e misericordioso é impassível aos acontecimentos ao seu redor. Embora ele possa mudar as circuntâncias ele não pode mudar nossas opções... Ou seja, se Ele existe ou não, não importa. O fato é que as coisas não tem o hábito de ir como planejado, para o horror dos obcessivos. Só nos resta perder o apego e mergulhar no caos.
*José Ortega y Gasset
Mas as circunstâncias estão fora de nosso controle, então são as opções que nos tornam diferentes uns dos outros e que nos torna também responsáveis pelo nosso próprio destino. Segundo a tradição Judaico-cristã Deus é bom e onipotente, mas dotou-nos do livre arbítrio. Uma explicação bem interessante em porque um ser tão poderoso e misericordioso é impassível aos acontecimentos ao seu redor. Embora ele possa mudar as circuntâncias ele não pode mudar nossas opções... Ou seja, se Ele existe ou não, não importa. O fato é que as coisas não tem o hábito de ir como planejado, para o horror dos obcessivos. Só nos resta perder o apego e mergulhar no caos.
*José Ortega y Gasset
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Ser cético é mais que duvidar das coisas. É mais que cegar-se com a luz da razão. O ceticismo radical também duvida das coisas ditas óbvias. Não é preciso muito esforço racional para não acreditar em bruxas, mágica, simpatias, telecinese, extraterrestres e companhia limitada. O grande esforço é entender que nosso conhecimento é limitado, nossas explicações precárias e o universo imensamente complexo. Embora as coisas sejam improváveis, elas não são necessariamente impossíveis. Veja a vida por exemplo: Há algo mais improvável que reações químicas possam conduzir a vida (semi)inteligente? E no entanto, ninguém refutaria esse fato como verdade.
Ser cético não é duvidar, é compreender que não compreende em verdade.
Ser cético não é duvidar, é compreender que não compreende em verdade.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Outro dia estava cuidando da minha própria vida quando fui abalroado por um motorista destraido. Nenhum dano visível ao meu veículo, dei o assunto por encerrado e fui para o aconchego de meu lar. Tudo aconteceu ali na Bandeirantes, sítio famoso pela pista de caminhada e pelas moças que por ela transitam. Imagino que meu desafortunado companheiro motorista deve ter detido muito atenção a alguma delas, e surpreso não viu como se aproximava do meu carro.
E não somos todos assim? Muito mais interessados (e com razão as vezes...) nos nossos arredores do que nos rumos que tomam nossas vidas?
Equilibrio, sempre o pulo do gato...
E não somos todos assim? Muito mais interessados (e com razão as vezes...) nos nossos arredores do que nos rumos que tomam nossas vidas?
Equilibrio, sempre o pulo do gato...
quinta-feira, janeiro 19, 2006
- Vai lá e olha 2 pacientes para mim.
- Por que eu faria uma coisa dessas?
- Vai lá. É sua chance de ajudar alguém. Você vai se sentir bem.
- Na verdade eu sou mesquinho. Ajudar os outros me faz sentir mal.
- Vai lá sô. Faça uma boa ação, Deus vai te recompensar.
- Achei que você era ateu.
- E sou.
- Típico... O ateu de verdade sempre muda de opinião quando se torna necessário...
- Por que eu faria uma coisa dessas?
- Vai lá. É sua chance de ajudar alguém. Você vai se sentir bem.
- Na verdade eu sou mesquinho. Ajudar os outros me faz sentir mal.
- Vai lá sô. Faça uma boa ação, Deus vai te recompensar.
- Achei que você era ateu.
- E sou.
- Típico... O ateu de verdade sempre muda de opinião quando se torna necessário...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Os chineses tem uma sabedoria especial sobre o sofrimento. Não do próprio, mas do alheio. Suas técnicas primam muito mais pela constância que pela intensidade. Pelo menos algumas das mais famosas... Nós ocidentais gostamos de infligir montanhas de sofrimento, arrancar confissões rápidas, mutilar e deformar. Não que os chineses não gostem dessas coisas, mas eles tem mais paciência. Eles só preferem algumas coisas mais sutis. Ou não, vai saber o que é real e o que é folclore... Mas pouco importa, falo de sofrimento, não de particularidades do sádismo cultural.
Imagine-se tendo de fazer uma marcha forçada de uns 20 ou 30 quilometros, sem parar. e imagine também que você tem uma pequena pedra no sapato, pequena mas estrategicamente colocada. Você não pode retirar os sapatos, vai ganhar chibatadas... No iício a coisa vai indo, é só um incômodo. Mas a cada passo o desconforto aumenta, a cada pisada a lembrança retorna, cada vez mais viva. Não é possível se resignar com uma pedra no sapato... E assim pequenas coisas as vezes se tornam maiores que o mundo.
Imagine-se tendo de fazer uma marcha forçada de uns 20 ou 30 quilometros, sem parar. e imagine também que você tem uma pequena pedra no sapato, pequena mas estrategicamente colocada. Você não pode retirar os sapatos, vai ganhar chibatadas... No iício a coisa vai indo, é só um incômodo. Mas a cada passo o desconforto aumenta, a cada pisada a lembrança retorna, cada vez mais viva. Não é possível se resignar com uma pedra no sapato... E assim pequenas coisas as vezes se tornam maiores que o mundo.
sábado, janeiro 14, 2006
Eu acho que todos temos "fixações". Aspas necessárias já que por definição, fixação é o apego doentio a alguma coisa. Me refiro as coisas mais corriqueiras. Outro dia fiquei surpreso ao constatar que tinha umas 6 versões de Berimbau, de Baden Powel. Ou quando avidamente dizimei todos os contos do Sabino. E vou me lembrando das paixões "de verão" a que sucumbi ou fui testemunha incrédula. Io-ios, menudos, pokemon, Chico Buarque, chapinha, Feng Sui, regressão a vidas passadas, santo dai-me, pogobol, Latino, fondue, sodoku, casa dos artistas, movimento punk, vinho alemão, papel de carta, kart, cavalos, Harry Potter, Paulo Coelho, e tantas e inumeráveis outras coisas.
O que nos faz interessar tão profundamente (e as vezes por tão breve período) por esses fenômenos? Será que eles nos dizem algo mais profundo sobre nós mesmos? Ou será que são apenas um paliativo contra o tédio do cotidiano? De qualquer forma, acredito que alguns valem mais a pena que outros.
O que nos faz interessar tão profundamente (e as vezes por tão breve período) por esses fenômenos? Será que eles nos dizem algo mais profundo sobre nós mesmos? Ou será que são apenas um paliativo contra o tédio do cotidiano? De qualquer forma, acredito que alguns valem mais a pena que outros.
domingo, janeiro 08, 2006
Projetos para um futuro distante. E incerto...
Livro/tese/manual:
"O uso da machete em eventos sociais".
"O uso da machete em eventos sociais".
sábado, dezembro 31, 2005
Diz uma lenda aí que se você estiver em um ponto hipotético sobre o polo norte a observar a terra, ela estará se deslocando no sentido anti-horário. Muito antes pelo contrário, se este ponto hipotético estiver sobre o polo sul, observar-se-á a rotação da mesma no sentido horário.
Entretanto, se você estiver sobre qualquer ponto real sobre sua superfície, vai constatar atônito que a terra se desloca exatamente no sentido contrário ao que o observador se desloca! Algo de muito útil portanto, já que podemos girar a nosso bel prazer das nossas pequenas possibilidades. Excetuando é claro se você se encontra dentro de um porta-mala, com dois marmanjos armados se divertindo com seu cartao de crédito no banco da frente. Neste caso, todas as observações acima são quase irrelevantes.
Entretanto, se você estiver sobre qualquer ponto real sobre sua superfície, vai constatar atônito que a terra se desloca exatamente no sentido contrário ao que o observador se desloca! Algo de muito útil portanto, já que podemos girar a nosso bel prazer das nossas pequenas possibilidades. Excetuando é claro se você se encontra dentro de um porta-mala, com dois marmanjos armados se divertindo com seu cartao de crédito no banco da frente. Neste caso, todas as observações acima são quase irrelevantes.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Descendo de linhagem nobre. Meu pai foi um grande campeão. Temido e invejado por todos. Um verdadeiro padrão da raça. Minha mãe uma entre tantas. Irmãos, um verdadeiro rebanho. Na tenra idade, me foram arrancados os sonhos, a chance de ser grande como meu pai. Que nem sequer sabe de mim. Ou de si. É quase uma máquina. Ainda jovem, sacrificado aos deuses sedentos de sangue num ritual macabro de extermínio em massa, cheio de mutilações e rituais bizarros.
Após uma breve existência, meu destino é me acumular nas artérias de alguém, e a ele garantir o meu infortúnio, nessas ironias que só o destino saber fazer. Uma vida precocemente encerrada, cheia de possibilidades não realizadas.
Após uma breve existência, meu destino é me acumular nas artérias de alguém, e a ele garantir o meu infortúnio, nessas ironias que só o destino saber fazer. Uma vida precocemente encerrada, cheia de possibilidades não realizadas.
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Diz uma lenda folclórica da zoologia que o avestruz quando se sente amaeçado, enfia a cabeça em um buraco para se esconder do mundo. Pensamento mágico? Ou é um comportamento comparável ao de uma criança pequena que de fato acredita que o que está fora das vistas está fora da existência?
Seja como for, toda vez que o avestruz esconde a cabeça, deixa a mostra sua enorme e indefesa bunda.
E é capaz ainda de ser posar de vítima...
Seja como for, toda vez que o avestruz esconde a cabeça, deixa a mostra sua enorme e indefesa bunda.
E é capaz ainda de ser posar de vítima...
terça-feira, dezembro 20, 2005
Eu acredito muito mais nas coisas assimiladas pela experiência do que nas adquiridas de outras formas. Por exemplo, acredito muito mais na sinceridade de um crente convertido depois de velho do que um que nasceu no seio da igreja. Acredito muito mais em comunista que tem vida confortável do que aqueles que passam dificuldades.
Muita gente é o que é apenas por conveniência ou hábito.
Muita gente é o que é apenas por conveniência ou hábito.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
A poesia, quem diria, está morta. E já faz algum tempo. E não foi só por aqui. Já vinha mal das pernas, coitada. Foi perdendo prestígio, foi perdendo espaço, quando assustou já não saia mais de casa. As pessoas não deram a mínima, ninguém deu falta. Afinal ninguém lê, afinal ninguém escreve. Morreu sozinha e abandonada, talvez nem tenha sido enterrada... Das glórias ainda resta algum conhecimento, mas desses malucos aí que não tem o que fazer. De tão obscura que está ficando, não demora a qualquer dia, voltar a moda.
domingo, dezembro 04, 2005
Hohoho... Me parece que o natal está se aproximando. As coisas assim me dizem, já que me encontro, de bom grado, à margem dos meios habituais. As ruas estão apinhadas de gente correndo, as pessoas estão com pressa e de mau- humor. A tolerância está quase esgotada onde quer que eu vá. Multidões se espremem para tentar satisfazer com as compras aquilo tudo que faltou no ano. Afinal, natal é sagrado.Ruas lotadas, os trombadinhas se fartam. Filas, tumultos, luzinhas e barbas postiças. Só sei que acabou quando acordo de manhã, a cidade encontra-se deserta e silenciosa. Cumprido o ritual, a turba ruma ao litoral, me deixando aliviado a guardar a cidade semiadormecida.
sexta-feira, novembro 11, 2005
Tédio é uma coisa perigosa... Aproveitando-me do meu ócio, realize, ainda que precariamente, um projeto antigo. Um quiz sobre minha pessoa. Quero ver quem me conhece de verdade. Taí o link: http://tmventura.friendtest.com
Este teste tem mais o objetivo de entreter do que de avaliar quem me conhece. E não há duas respostas corretas! Há várias coisas que podem parecer confusas, mas só há uma resposta. Nem tudo o que digo eu de fato acredito. Não me levem a sério em boa parte das coisas que eu digo.
Mas de fato, pelas respostas até agora, meu eu "mitológico" faz muito mais sucesso que o eu real.
Este teste tem mais o objetivo de entreter do que de avaliar quem me conhece. E não há duas respostas corretas! Há várias coisas que podem parecer confusas, mas só há uma resposta. Nem tudo o que digo eu de fato acredito. Não me levem a sério em boa parte das coisas que eu digo.
Mas de fato, pelas respostas até agora, meu eu "mitológico" faz muito mais sucesso que o eu real.
quinta-feira, novembro 10, 2005
Retornando da labuta, cansado mas satisfeito, me encaminho ao meu covil. Retiro meu relógio, acessório obrigatório da servidão, descalço-me e me dirijo ao meu fiel escudeiro. Meu computador muito pessoal.
Mas hoje não é um dia comum. Ao cumprir o ritual de virar botões nada do familiar processo de despertar. Ao invés disto estalos, faíscas e fumaça. O cheiro de plástico escorchado enche meu calabouço. E estupefato constato o óbvio: Meu computador queimou.
É um mundo estranho este em que nos apegamos tanto as coisas... A sensação que tenho é que um amigo íntimo que estava bem, foi vítima de uma catástrofe repentina. É como se ele tivesse tido um infarto fulminante, me deixando estupefato e sem compreender. E chocado ainda tento entender : "Mas ele era tão jovem"!
Mas hoje não é um dia comum. Ao cumprir o ritual de virar botões nada do familiar processo de despertar. Ao invés disto estalos, faíscas e fumaça. O cheiro de plástico escorchado enche meu calabouço. E estupefato constato o óbvio: Meu computador queimou.
É um mundo estranho este em que nos apegamos tanto as coisas... A sensação que tenho é que um amigo íntimo que estava bem, foi vítima de uma catástrofe repentina. É como se ele tivesse tido um infarto fulminante, me deixando estupefato e sem compreender. E chocado ainda tento entender : "Mas ele era tão jovem"!
quarta-feira, novembro 02, 2005
Um belo dia, em uma família de nossa intimidade, mãe e filha discutiam sobre qualquer coisa não lá muito importante. A filha, naquelas tempestades da muita juventude, queria por que queria qualquer bobagem, e a mãe recusando-se. Lá pelas tantas num artifício bem conhecido, já que os argumentos razoáveis estavam esgotados, soltou o famoso e sentido, mas afetado "Eu não pedi pra nascer"!
E a mãe olhou meio surpresa, e recomposta suspirou fazendo aquela cara desconsolada: "Eu também não minha filha"...
E a mãe olhou meio surpresa, e recomposta suspirou fazendo aquela cara desconsolada: "Eu também não minha filha"...
quarta-feira, outubro 19, 2005
As vezes fico imaginando como fazer fortuna... Não que dinheiro seja um prioridade, mas se eu tiver o suficiente posso me dedicar a coisas mais proveitosas do que ao trabalho semi-escravo.
Fico vendo essas estrelas do futebol ganhando milhões. Eu tentei, mas futebol não dá. Desde os tempos de colégio eu só era bom em ciências em geral e um pouco menos nas letras. Nas atividades sociais e esportivas eu era (e em grande parte ainda sou) um grande fracasso. Minha formação não me impede de ofender e brigar, mas vejo algo de desprezível em explorar meu "semelhante". Não tenho parentes ricos. E ainda por cima não jogo na loteria.
Salvo algum insuspeito imprevisto, pareço estar condenado a eterna labuta do "operariado".
Fico vendo essas estrelas do futebol ganhando milhões. Eu tentei, mas futebol não dá. Desde os tempos de colégio eu só era bom em ciências em geral e um pouco menos nas letras. Nas atividades sociais e esportivas eu era (e em grande parte ainda sou) um grande fracasso. Minha formação não me impede de ofender e brigar, mas vejo algo de desprezível em explorar meu "semelhante". Não tenho parentes ricos. E ainda por cima não jogo na loteria.
Salvo algum insuspeito imprevisto, pareço estar condenado a eterna labuta do "operariado".
sexta-feira, outubro 14, 2005
Eu sou uma espécie de antropólogo amador. Não tenho nenhuma formação na área, nunca li nada mais profundo no assunto, mas gosto de me dar este "título". Toda oportunidade que se apresenta, estando eu gosando de um mínimo de paz de espírito, me debruço nesta fascinante jornada.
Há muito tempo não folheava os classificados, por muitos quaisquer, me deparei com ste curioso depósitario de esperanças humanas. Imóveis para locar, empregados que se oferecem, pessoas solitárias em busca de companhia, companhia em busca de sustento, pagamento de promessas, oportunidades únicas (como plantar cogumelos e ficar rico...), toda espécie de servíço místico... E toda sorte de arranjo e negócio.
A esquina dos aflitos, graças a Gutemberg.
Há muito tempo não folheava os classificados, por muitos quaisquer, me deparei com ste curioso depósitario de esperanças humanas. Imóveis para locar, empregados que se oferecem, pessoas solitárias em busca de companhia, companhia em busca de sustento, pagamento de promessas, oportunidades únicas (como plantar cogumelos e ficar rico...), toda espécie de servíço místico... E toda sorte de arranjo e negócio.
A esquina dos aflitos, graças a Gutemberg.
domingo, outubro 02, 2005
A cada dia que passa confirmo algo que estou cansado de saber. Sou um outsider, um marginal. As coisas me parecem estranhas, as pessoas me parecem estranhas. e sei que pareço estranho a maioria. Achei curioso que algumas pessoas se referissem a mim como "o cara que lia livros estranhos". E continuo lendo... Apesar de que hoje em dia ler já é algo estranho... E olha que eu tenho tentado ler os clássicos... Seja da literatura ou da filosofia...
No início eu me incomodava em ser diferente. Hoje me dou mais que satisfeito. Vendo as coisas como estão, acho razoável não me encaixar.
No início eu me incomodava em ser diferente. Hoje me dou mais que satisfeito. Vendo as coisas como estão, acho razoável não me encaixar.
sexta-feira, setembro 16, 2005
Eu sou um escravo da Razão. E como sabem Dona Razão é uma senhora rígida! E Sinhá é muito ocupada, vive viajando por seus domínios. Nas suas raras visitas me esforço em prestar atenção e entender suas ordens. Nos primeiros dias vamos bem, aí as coisas vão ficando confusas, sabe como é... O corpo é forte, o juízo é fraco e os apetites, vorazes...
quinta-feira, setembro 15, 2005
Diário de um piqueteiro
Desde que comecei a bater cartão estou caminhando a passos largos rumo a revolta proletária. Hoje por exemplo, investi minha tarde manifestando minha indignação com o desrespeito ao meu trabalho, lutando pela valorização e pela dignificação do mesmo.
Marcaram de reunirmos na porta da Santa Casa e algumas horas depois do combinado já tinhamos massa suficiente para obrigar os trauseuntes a ter de andar na rua. Com alguma hesitação, iniciamos a marcha. Para onde? gritava a turba indignada. Para as clínicas! E lá ia o cordão... Mas primeiro esperamos o sinal de pedestre abrir. E assim fomos, apitando, mostrando faixas com nossas demandas e principalmente, respeitando as leis de trânsito... E assim fomos fazendo o circuito dos hospitais, chamando os colegas para a luta. E evitando ser atrapelado pelo trânsito pesado da Alfredo Balena. E nada de imprensa... Sugeri queimarmos uns pneus, outros queriam apredejar umas janelas... Mas no fim ficamos só nos apitos e faixas. Alguns populares se juntaram a marcha, até me lembrou a marcha final de "O Grande Mentecapto". Chegamos ao CRM e ficamos ali fazendo barulho na Afonso Pena. Um mais inflamado subiu num caixote e proferiu um discurso, configurou-se o ato. Alguém deu uma idéia "Quel tal uma cerveja"? E o movimento tomou novos rumos.
Marcaram de reunirmos na porta da Santa Casa e algumas horas depois do combinado já tinhamos massa suficiente para obrigar os trauseuntes a ter de andar na rua. Com alguma hesitação, iniciamos a marcha. Para onde? gritava a turba indignada. Para as clínicas! E lá ia o cordão... Mas primeiro esperamos o sinal de pedestre abrir. E assim fomos, apitando, mostrando faixas com nossas demandas e principalmente, respeitando as leis de trânsito... E assim fomos fazendo o circuito dos hospitais, chamando os colegas para a luta. E evitando ser atrapelado pelo trânsito pesado da Alfredo Balena. E nada de imprensa... Sugeri queimarmos uns pneus, outros queriam apredejar umas janelas... Mas no fim ficamos só nos apitos e faixas. Alguns populares se juntaram a marcha, até me lembrou a marcha final de "O Grande Mentecapto". Chegamos ao CRM e ficamos ali fazendo barulho na Afonso Pena. Um mais inflamado subiu num caixote e proferiu um discurso, configurou-se o ato. Alguém deu uma idéia "Quel tal uma cerveja"? E o movimento tomou novos rumos.
quarta-feira, setembro 14, 2005
Acho que uma das coisas mais importantes é saber diferenciar preço de valor. Sei que muitas pessoas se vangloriam de suas grandes propriedades, de suas fortunas e de seus bens. Para isto eu não tenho a menor paciência. Aprendi com meu pai que o dinheiro só tem valor por que custou a alguém tempo e esforço. O valor das coisas está em grande parte no que é necessário para obtê-las. Meu avô costuma dizer que quem trabalha não tem como ficar rico, apenas se fica rico por meios ilícitos ou explorando o trabalho alheio... (o que certa forma é considerado por alguns de roubo... Dá-lhe Marx...)
Experimente toda vez que estiver balançado a comprar alguma coisa não essencial, em converter o preço em horas trabalhadas... É só ver se valeu a pena.
Experimente toda vez que estiver balançado a comprar alguma coisa não essencial, em converter o preço em horas trabalhadas... É só ver se valeu a pena.
sexta-feira, setembro 09, 2005
Certa feita perguntaram a Platão o que era o homem. No que o filósofo retorquiu: "O homem é um bipede implume". E, essencialmente, ele está certo. Mas um espertinho reretorquiu: "Então um frango resfriado também é um homem"! Eis aí o problema dos modelos e definições. Como tornar algo tão óbvio em palavras? Modelos e definições são utéis apenas em contextos muito específicos...
sexta-feira, setembro 02, 2005
Quando estive em Roma, além de ver o Papa é claro, vi muitas das coisas que todo turista deveria ver. Em piazza Navona, Roma me sorriu e me ofereceu um euro. Dizem que achar dinheiro é sinal de sorte... Quando cheguei em Fontana de Trevi, devolvi a gentileza. De costas para a fonte, pensei em algo que merecesse um desejo sincero e de volta a Roma o euro foi. Uma contribuição e tanto, já que a fonte estava coalhada de moedinhas muito menos nobres...
Eu não acredito em fontes, desejos, favores de santos, cílios no sutiã e essa sorte de crendices. Mas todo oportunidade em que me vejo frente a um destes eventos, nunca desejo nada para mim. Penso em alguém em que me importo e gasto a minha ficha. Há algo de profundamente imoral em um adulto saudável, gozando de perfeito juízo mental se fiar no sobrenatural para ser feliz.
Eu não acredito em fontes, desejos, favores de santos, cílios no sutiã e essa sorte de crendices. Mas todo oportunidade em que me vejo frente a um destes eventos, nunca desejo nada para mim. Penso em alguém em que me importo e gasto a minha ficha. Há algo de profundamente imoral em um adulto saudável, gozando de perfeito juízo mental se fiar no sobrenatural para ser feliz.
quarta-feira, agosto 31, 2005
Elogio a ressaca
De tudo que já li, acho que nunca vi ninguém exaltando as virtudes morais de uma boa ressaca. Seja pelo ineditismo ou pela verdade, vamos lá.
Todo conhecemos a ressaca. Mesmo que moralmente. O termo original refere-se a um fenômeno marítmo, a elevação das marés, com ondas maiores, e alguns transtornos ao derramar além do programado...
Mas falo da ressaca de outro tipo de "derrama". Essa vem após abusos e libações, ou mesmo após alguns comportamentos "incovenientes". Mas a sensação não é de todo ruim, pois para o "infrator" atento, ela tem dois lições morais de suma importância.
A primeira é: Deus castiga. Todos pagaremos o preço de nossos atos. Pode não ser instantâneo, mas nossos atos nos alcançarão.
E a segunda: Para o bem ou para o mal, sempre existe o dia seguinte.
Todo conhecemos a ressaca. Mesmo que moralmente. O termo original refere-se a um fenômeno marítmo, a elevação das marés, com ondas maiores, e alguns transtornos ao derramar além do programado...
Mas falo da ressaca de outro tipo de "derrama". Essa vem após abusos e libações, ou mesmo após alguns comportamentos "incovenientes". Mas a sensação não é de todo ruim, pois para o "infrator" atento, ela tem dois lições morais de suma importância.
A primeira é: Deus castiga. Todos pagaremos o preço de nossos atos. Pode não ser instantâneo, mas nossos atos nos alcançarão.
E a segunda: Para o bem ou para o mal, sempre existe o dia seguinte.
terça-feira, agosto 30, 2005
domingo, agosto 28, 2005
Maturidade... O que diabos é isto? Maduro... Todos sabemos que maduro é uma coisa que chegou seu tempo. Quem já comeu banana verde sabe perfeitamente a "anti-sensação". Mas afora as frutas, o resto é meio confuso com relação aos seus sinais de maturidade. Parece mais fácil avaliar retrospectivamnte. Alías, como todo o resto. Mas aí o momento já está perdido ou profundamente comprometido.
Pense nas coisas que já fez na vida, considere as coisas que teria feito diferente, ainda que em pequenos detalhes... Pensando assim, maturidade é uma consequência imediata do arrependimento. Mas por outro ângulo, pense nas coisas que deram errado ou aconteceram contra sua vontade, mas que se transformaram em gratas surpresas...
Amadurecer deve ser apenas isto, viver e continuamente aprender a viver.
Pense nas coisas que já fez na vida, considere as coisas que teria feito diferente, ainda que em pequenos detalhes... Pensando assim, maturidade é uma consequência imediata do arrependimento. Mas por outro ângulo, pense nas coisas que deram errado ou aconteceram contra sua vontade, mas que se transformaram em gratas surpresas...
Amadurecer deve ser apenas isto, viver e continuamente aprender a viver.
quinta-feira, agosto 25, 2005
Hoje foi um dia muito especial para mim. Quase um marco da minha vida adulta. Hoje, pela primeira vez na minha vida eu bati cartão de ponto. Achei que não precisaria fazê-lo nunca!
Eu nunca tive problemas com horários e vigilância, mas esse negócio incomoda um pouco... Gente te vigiando, papelim para provar o que você estava fazendo... Quer dizer, cartão não obriga ninguém a trabalhar, só a estar momentaneamente presente.
Já estou inclusive lançado uma campanha entre meus pares. Vamos fazer uma filiação em massa ao PSTU. Como a maioria de vocês sabe, quem bate cartão, não vota em patrão!
Eu nunca tive problemas com horários e vigilância, mas esse negócio incomoda um pouco... Gente te vigiando, papelim para provar o que você estava fazendo... Quer dizer, cartão não obriga ninguém a trabalhar, só a estar momentaneamente presente.
Já estou inclusive lançado uma campanha entre meus pares. Vamos fazer uma filiação em massa ao PSTU. Como a maioria de vocês sabe, quem bate cartão, não vota em patrão!
quinta-feira, agosto 18, 2005
Por vezes passo em frente ao pronto atendimento pediátrico. e fico reparando nas mãezinhas novas, algumas até bem apessoadas, que ficam por ali aguardando atendimento. E reaparo também nas crianças, cada uma com uma carinha melhor que a outra... E de repente eu me encho de pena. Não por que as crianças estão doentes, mesmo porque elas não estão. Tenho pena dessas jovens mãezinhas, que tem de sair correndo de casa em busca de ajuda. Fico imaginando a vida vazia, o marido ausente, a falta geral de sentido do serviço doméstico... Não que não seja importante, esta é uma batalha silenciosa e inglória. Mas a vida pede mais que isto.
Talvez não devesse sentir pena, afinal todo é fruto das nossas escolhas. Pena que muitas coisas pareçam boas idéias inicialmente, apenas para se revelar mais um engôdo.
Talvez não devesse sentir pena, afinal todo é fruto das nossas escolhas. Pena que muitas coisas pareçam boas idéias inicialmente, apenas para se revelar mais um engôdo.
domingo, agosto 14, 2005
Um dia, quando eu tiver tempo suficiente para tocar meus projetos "paralelos", ainda hei de escrever uma tese arquitetoantropológica que irá ter um título mais ou menos assim: "A influência italiana na decoração de interiores no Brasil, recriando o piegas".
Quem já viu Veneza sabe do que estou falando...
Quem já viu Veneza sabe do que estou falando...
sábado, agosto 06, 2005
quarta-feira, julho 27, 2005
De todas as coisas que orbitam nosso planetinha, a lua é com certeza a mais notável. Nossa dama de companhia realiza conosco uma complexa dança e de tão fina jamais nos vira as costas. Como nunca vimos diretamente sua outra face, alcunhamo-la de "face oculta", e de bobos que somos, inventamos um monte de folclore sobre esta curiosa coincidência astronômica.
Tendo cerca de 3500 km de diamêtro e uma massa 80 vezes menor que a Terra, ela certamente tem muito mais influência por aqui do que o esperado. Clareia a noite ate'certo ponto, regula marés, oculta o Sol de vez enquando para o desespero de alguns...
Mas a figura dominante nos céus noturnos tem outras esferas de influência! Simbolizando o mundo desconhecido e escuro que causa na maioria medo e insegurança. Com sua luz pálida, não permite que vejamos com clareza, nos permitindo enganos dos mais variados...
Seu comportamento cíclico forneceu aos homens uma das primeiras formas de medir o tempo. E neste ciclo mágico de crescer e minguar inspirou as mais diversas formas de influência sobre o homem e as coisas naturais, tais como plantas, pesca ou fios de cabelo...
Tendo cerca de 3500 km de diamêtro e uma massa 80 vezes menor que a Terra, ela certamente tem muito mais influência por aqui do que o esperado. Clareia a noite ate'certo ponto, regula marés, oculta o Sol de vez enquando para o desespero de alguns...
Mas a figura dominante nos céus noturnos tem outras esferas de influência! Simbolizando o mundo desconhecido e escuro que causa na maioria medo e insegurança. Com sua luz pálida, não permite que vejamos com clareza, nos permitindo enganos dos mais variados...
Seu comportamento cíclico forneceu aos homens uma das primeiras formas de medir o tempo. E neste ciclo mágico de crescer e minguar inspirou as mais diversas formas de influência sobre o homem e as coisas naturais, tais como plantas, pesca ou fios de cabelo...
sexta-feira, julho 22, 2005
Ficar em casa no meio da semana em pleno período "letivo" é algo que sempre me remete a mesma sensação. Doença. Não que eu tenha este hábito, adoecer ou matar serviço. Buscando na memória, sempre me afastei das atividades devido a algum mal, que não a pura e simples vadiagem. A sensação é estranha. Aquela vontade de fazer alguma coisa, o corpo esquisito, tédio doentio... Aquela sensação de cansaço pós febre... Tudo ruim. A casa estranhamente vazia... Ou aquela faina estranha da faxina, imcompreensível a quem está sempre ausente nestes momentos. Ficar doente me lembra produto de limpeza. E vice versa. Aquele zumbido de enceradeira...
Mesmo nas raríssimas ocasiões em que tentava me fingir de doente para cabular, e ainda mais raro, quando colava, a sensação é a mesma. Era como estar a parte do mundo. Era como ter caido atrás da escrivaninha.
E no dia seguinte aquele estranhamento. Parecia que tinha ficado congelado alguns anos. As coisas pareciam estar perfeitamente normais e fora do lugar. O universo ficava meio embaçado.
Eu nunca achei muita graça em ficar doente.
Mesmo nas raríssimas ocasiões em que tentava me fingir de doente para cabular, e ainda mais raro, quando colava, a sensação é a mesma. Era como estar a parte do mundo. Era como ter caido atrás da escrivaninha.
E no dia seguinte aquele estranhamento. Parecia que tinha ficado congelado alguns anos. As coisas pareciam estar perfeitamente normais e fora do lugar. O universo ficava meio embaçado.
Eu nunca achei muita graça em ficar doente.
sábado, julho 16, 2005
Desde que era criança eu tinha o hábito de tentar entender como as coisas funcionam. Ficava lá observando e tentando compreender. As coisas não tem tantos mistérios, se comparadas as pessoas, é claro. Esta verve científica me acompanha desde cedo.
Há alguns anos atrás, montando estes quebra cabeças gigantescos descobri algo curioso. Eles são grandes placas de papelão cortadas por uma guilhotina especial. Mas o curioso não é isto. O padrão da guilhotina se repete... Ou seja de 20 em 20 peças temos duas peças "mecanicamente" idênticas. E como as guilhotinas podem ser usados em diferentes cenários, podemos ter peças de outros quebra cabeças que se encaixam...
Isto nos leva a 2 conclusões e uma anti-conclusão. Peças podem se encaixar mecânicamente mas distoar na paisagem. Mas se elas forem similares (como se forem 2 pedaços do céu) podem passar desapercebidas. O pior é quando apenas umas delas se camufla, nos deixando com uma peça que não se adequa...
A "anti-conclusão" na verdade é uma extrapolação do fato acima, também derivada do hábito de montar quebra-cabeças. É aquela pecinha que tem tudo para entrar no cenário, mas simplesmente não pertence á aquele lugar. Mas continuamos insistindo na esperança que ela entre.
E há todas as outras peças que não se encaixam, não combinam e ninguém nunca imaginou que pudesse ser diferente.
Há alguns anos atrás, montando estes quebra cabeças gigantescos descobri algo curioso. Eles são grandes placas de papelão cortadas por uma guilhotina especial. Mas o curioso não é isto. O padrão da guilhotina se repete... Ou seja de 20 em 20 peças temos duas peças "mecanicamente" idênticas. E como as guilhotinas podem ser usados em diferentes cenários, podemos ter peças de outros quebra cabeças que se encaixam...
Isto nos leva a 2 conclusões e uma anti-conclusão. Peças podem se encaixar mecânicamente mas distoar na paisagem. Mas se elas forem similares (como se forem 2 pedaços do céu) podem passar desapercebidas. O pior é quando apenas umas delas se camufla, nos deixando com uma peça que não se adequa...
A "anti-conclusão" na verdade é uma extrapolação do fato acima, também derivada do hábito de montar quebra-cabeças. É aquela pecinha que tem tudo para entrar no cenário, mas simplesmente não pertence á aquele lugar. Mas continuamos insistindo na esperança que ela entre.
E há todas as outras peças que não se encaixam, não combinam e ninguém nunca imaginou que pudesse ser diferente.
sexta-feira, julho 15, 2005
Dizem que afinidade é mais ou menos assim: Não importa quanto tempo se passou, as coisas continuam de onde pararam. É interessante reparar como tenho pessoas assim. E o mais curioso ainda... Eu tenho uns "dejá veus" de afinidade, gente que eu conheço a pouco e parece que sempre estiveram por perto. E olha que eu sou um sujeito de "poucos" amigos... As vezes eu sou sortudo, as vezes eu escolho bem...
terça-feira, julho 12, 2005
Algo aconteceu a cerca de uma semana atrás. Nada visível no mundo exterior. Continuo essencialmente o mesmo. Parece que algum fio solto voltou a fazer contato. Veja por exemplo: Voltei a me interessar por política! Eu disse interessar, não acreditar. Há mais coisas, talvez algum observador atento perceba...
quarta-feira, julho 06, 2005
Utilidade Pública
Irformo-vos que nem eu nem meu irmão queimamos ao entrar no Vaticano, nem ao ver Papa. Temos inclusive prova documental. Por vias das dúvidas, evitamos assuntos heréticos por lá.
Mas ficar no sol Italiano de matar velhinho por 4 horas ininterruptas... Isso queima. Me senti um verdadeiro peregrino penitente. Recebi a benção, ouvi sua santidade falar. Fiquei frustrado por que não trouxe nada que pudesse ser abençoado... E vendido...
Mas sua santidade é bem mais simpática ao vivo. As vezes o homem não é fotogênico...
A praça de São Pedro tava mais animada que muito show de Axé. O Papa é definitivamente pop.
Mas ficar no sol Italiano de matar velhinho por 4 horas ininterruptas... Isso queima. Me senti um verdadeiro peregrino penitente. Recebi a benção, ouvi sua santidade falar. Fiquei frustrado por que não trouxe nada que pudesse ser abençoado... E vendido...
Mas sua santidade é bem mais simpática ao vivo. As vezes o homem não é fotogênico...
A praça de São Pedro tava mais animada que muito show de Axé. O Papa é definitivamente pop.
sexta-feira, julho 01, 2005
quinta-feira, junho 30, 2005
quinta-feira, junho 16, 2005
segunda-feira, junho 13, 2005
Uma terra portuguesa com certeza...
Pois eh cah estou em terras lusitanas. Teclado sem acentos, portanto perdoe-me. Edito na volta. Lisboa ainda eh uma cidade muito bonita, apesar de todo o mal cuidado com ela. A cidade esta invadida por nossos compatriotas, e ha um clima beligerante entre portugueses e imigrantes. Aqui tambem tem xenofobices... Para variar a culpa eh sempre do outro... Fico aqui imaginando que nossos patricios sao europeus apenas por um detalhe geografico... Mas enfim, deixo o mal humor para a volta... Ha mais a ser comentado...
sexta-feira, junho 10, 2005
quinta-feira, junho 09, 2005
Uma das minhas poucas lembranças da infância eram meus retornos do colégio. Sempre voltava meio enjoado, com dor de cabeça. Como adorava os balanços e suas correntes de ferro, sempre associei a naúsea ao cheiro metálico das correntes nas minhas mãos. Era diário, entrava no carro, andava dois quarteirões e começava tudo de novo.
Muito mais tarde fui me diagnosticar com "Vertigem parosxística benigna" também denominada por alguns como "cinetose". É muito mais naúsea do que vertigem, mas como o culpado é o vestíbulo, ficou com este nome. O vestíbulo é uma pecinha do ouvido interno, composta por três canais semicirculares, mais ou menos perpendiculares entre si para contemplar as três dimensões do espaço físico, recobertos internamente por cílios e preenchidos por um líquido. Sua função, além de produzir tonteira, é perceber os deslocamentos da cabeça. Desconfio que como automóveis não estavam nos planos originais do aparelho, algumas pessoas tem uma sensibilidade aumentada aos deslocamentos, gerando o nosso supracitado quadro.
Por mais estranho que possa parecer, isto só acontece quando estou de passageiro, nunca de motorista... Parece ter algo a ver com outros estímulos que inibem as frescuras do meu vestíbulo.
Como ando só a maior parte do tempo, passo anos sem lembrar que tenho mais este leve defeito de fabricação.
Muito mais tarde fui me diagnosticar com "Vertigem parosxística benigna" também denominada por alguns como "cinetose". É muito mais naúsea do que vertigem, mas como o culpado é o vestíbulo, ficou com este nome. O vestíbulo é uma pecinha do ouvido interno, composta por três canais semicirculares, mais ou menos perpendiculares entre si para contemplar as três dimensões do espaço físico, recobertos internamente por cílios e preenchidos por um líquido. Sua função, além de produzir tonteira, é perceber os deslocamentos da cabeça. Desconfio que como automóveis não estavam nos planos originais do aparelho, algumas pessoas tem uma sensibilidade aumentada aos deslocamentos, gerando o nosso supracitado quadro.
Por mais estranho que possa parecer, isto só acontece quando estou de passageiro, nunca de motorista... Parece ter algo a ver com outros estímulos que inibem as frescuras do meu vestíbulo.
Como ando só a maior parte do tempo, passo anos sem lembrar que tenho mais este leve defeito de fabricação.
A esquina dos aflitos é uma denominação genérica para um amontoado de gente, de fato desesperada, tentando resolver seus problemas. Quando eu digo amontoado, não é força de expressão... Aquela babel, gente vendendo as poucas posses, gente dando show nas calçadas, gente esperando algumas oportunidades para bater umas carteiras... Qualquer coisa está valendo para essa gente...
Se eu não me engano tinha uma dessas na Carijós, perto da Praça Sete, mais ou menos perto do falecido e gigantesco Cine Brasil...
Se eu não me engano tinha uma dessas na Carijós, perto da Praça Sete, mais ou menos perto do falecido e gigantesco Cine Brasil...
segunda-feira, junho 06, 2005
As pessoas tem o estranho hábito de me parar na rua e me perguntar por orientações. Vá lá que com uma certa frequência eu conheça o logradouro em questão. Mas não sei deixe iludir pela minha cara de nativo inteirado da geografia local! -Ah, esse tal ar blasé...- Eu não tenho a menor idéia de para onde estou indo.
Se é que estou indo a algum lugar...
Se é que estou indo a algum lugar...
sábado, junho 04, 2005
Na natureza apenas duas coisas foram feitas com o último propósito de serem alimento. Leite e frutas. Músculos foram feitos para contrair, fígados para metabolizar, folhas para regular a homeostasia e realizar fotosíntese, raízes para fixar, absorver e no máximo armazenar. Tudo tem uma função bem clara e se não fosse a selvageria da selva e a necessidade da sobrevivência, ninguém duvidaria.
O leite é um alimento produzido sobre encomenda. É o alimento ideal para o jovem mamífero. Desde que seja o da sua espécie... Adquirimos este estranho hábito de usurpar dos outros filhotes, para dar aos nossos. E vamos substituindo o nosso leite, adequado aos nossos, pelo dos outros, mais adequado aos outros... E não satisfeitos, pasteurizamos, diluimos, acrescemos carboidratos, proteinas vegetais, vitaminas para reinventar algo que a maioria das "nutrizes" faz naturalmente, praticamante de graça e sem riscos... E as frutas estão aí. Quem nunca viu uma mangueira carregada? Ainda me lembro de um religioso comentando sobre a fartura de Deus... Eu ainda fico um pouco surpreso ao ler as embalagens... Sabor artificial de laranja.
Reinventar a realidade... Especiezinha pretensiosa.
O leite é um alimento produzido sobre encomenda. É o alimento ideal para o jovem mamífero. Desde que seja o da sua espécie... Adquirimos este estranho hábito de usurpar dos outros filhotes, para dar aos nossos. E vamos substituindo o nosso leite, adequado aos nossos, pelo dos outros, mais adequado aos outros... E não satisfeitos, pasteurizamos, diluimos, acrescemos carboidratos, proteinas vegetais, vitaminas para reinventar algo que a maioria das "nutrizes" faz naturalmente, praticamante de graça e sem riscos... E as frutas estão aí. Quem nunca viu uma mangueira carregada? Ainda me lembro de um religioso comentando sobre a fartura de Deus... Eu ainda fico um pouco surpreso ao ler as embalagens... Sabor artificial de laranja.
Reinventar a realidade... Especiezinha pretensiosa.
domingo, maio 29, 2005
Um dos males da Internet é a sua imprevisibilidade. Mal no sentido ilusão do termo. Fico imaginando quantas pessoas buscam na Internet a solução imaginária de seus problemas. É como ser um náufrago e ficar jogando mensagens em garrafas mar afora... Alguma é capaz de chegar a algum lugar, mas se socorro virá, é outra história... E ficamos aí, verificando sites, cadastrando em programas, checando e-mails, tudo na esperança que em meio a todo esse lixo, haja sequer um pequeno resquício de esperança de dias melhores. Como mágica...
terça-feira, maio 24, 2005
Estou finalmente me tornando um ser útil a sociedade. Saio de casa as 7 horas da matina ou pouco antes, ando feito um desesperado, brigo feito um louco, almoço correndo, continuo brigando e perambulando até muito mais tarde. A cada 2 semanas, 2 dias de folga. Que me deixam até certo ponto um pouco "vazio". Mas alto lá! Não me tornei um "workaholic"...
Não leio, não vejo televisão, não conheço gente nova, não ganho nem perco peso... Ganho mal...
Eu sei que soa monótono e enfadonho. Mas não é. Me sinto ótimo e me previne de ficar pensando em bobagens. Na maior parte do tempo pelo menos...
Não leio, não vejo televisão, não conheço gente nova, não ganho nem perco peso... Ganho mal...
Eu sei que soa monótono e enfadonho. Mas não é. Me sinto ótimo e me previne de ficar pensando em bobagens. Na maior parte do tempo pelo menos...
domingo, maio 22, 2005
Estranhos dias... Me sinto diferente. Aquela sensação ambígua de que eu quero que o tempo passe rápido, e ao mesmo tempo aquele martírio da sensação do tempo se perdendo.
Mais zen, mais zen... É como agarrar a água, quanto mais você aperta, mais rápido ela escorre da sua mão.
Tudo que eu preciso é deixar o caos fluir. Mu.
Maldito apego...
Mais zen, mais zen... É como agarrar a água, quanto mais você aperta, mais rápido ela escorre da sua mão.
Tudo que eu preciso é deixar o caos fluir. Mu.
Maldito apego...
sexta-feira, maio 20, 2005
Portugal e seu povo me fascinam. Seu povo é até um impróperio, afinal temos muito de nossos patrícios... Há algo fundamental sobre lá que não consigo decifrar, uma espécie de poesia bruta, um lirismo selvagem. Sou um inapto lusofóno, mas amo profundamente a flor da Lácio. Afinal é de palavras que se constroí um povo... E desvendar um pouco da alma lusitana certamente ilumina algo sobre nos mesmos...
Enfim, vamos ver o que consigo apurar...
Enfim, vamos ver o que consigo apurar...
segunda-feira, maio 16, 2005
Sereias
Sereias eram criaturas metade mulher, metade peixe. E tinham o péssimo hábito de cantar para atrair os navegantes para os rochedos onde seriam devidamente devorados. O folclore está cheio destas figuras femininas devoradoras de homens. A Iara, as vezes também chamada de mãe dágua, morena bonita que canta para atrair os homens para as profundezas.
Parece que esta imagem esteve presente em diversas culturas. A figura feminina que, pelo seu apetite sanguinário, seduz e atrai os incautos, fazendo com que estes joguem seus navios de encontro as rochas, jogando seus destinos nas profundezas de mar.
Parece que esta imagem esteve presente em diversas culturas. A figura feminina que, pelo seu apetite sanguinário, seduz e atrai os incautos, fazendo com que estes joguem seus navios de encontro as rochas, jogando seus destinos nas profundezas de mar.
quarta-feira, maio 11, 2005
Peço desculpas aos meus parcos leitores. Queria escrever coisas mais inspiradoras, mais leves e quem sabe até um pouco poéticas. A que minha pouca poesia permite... Nada de pretensões...
Mas tenho estado mais amargo que o normal. O dia a dia não ajuda, não tenho para onde correr. Não tenho lido nem feito quase nada inspirador.Então tenho evitado me lamuriar, não quero ninguém pensando em se matar por aqui... Cada dia que passa vejo que a vida é uma merda, mas uma merda que vale a pena. Para os que tem coragem.
Mas tenho estado mais amargo que o normal. O dia a dia não ajuda, não tenho para onde correr. Não tenho lido nem feito quase nada inspirador.Então tenho evitado me lamuriar, não quero ninguém pensando em se matar por aqui... Cada dia que passa vejo que a vida é uma merda, mas uma merda que vale a pena. Para os que tem coragem.
quinta-feira, maio 05, 2005
Ah boliche... Nada como fingir ser vagabundo uma vez ou outra e jogar boliche durante a semana... Afinal os preços são proibitivos durantes os finais de semana...
Seis partidas depois, alguns chopes e muita grosseiria, nada como acordar com o braço doendo no dia seguinte. Davamos inveja no resto da turma nas outras pistas, aqueles caras que trazem a bola de casa e só jogam com efeito.
É uma das poucas coisas em que tenho prazer em fazer mal.
Seis partidas depois, alguns chopes e muita grosseiria, nada como acordar com o braço doendo no dia seguinte. Davamos inveja no resto da turma nas outras pistas, aqueles caras que trazem a bola de casa e só jogam com efeito.
É uma das poucas coisas em que tenho prazer em fazer mal.
quarta-feira, maio 04, 2005
terça-feira, maio 03, 2005
Seu Bilé
Seu Bilé é uma figurinha curiosa. Sessenta e poucos anos, bebe, fuma e peloque dizem seus familiares tem uns problemas de cabeça. Até usa Gardenal. Dizem que ainda usa drogas... Mas essa figura mirradinha deu entrada no hospital com um quadro de peritonite aguda, causada por uma perfuração no estômago. Operado, assutou o cirurgião com a lesão, que o cirurgião logo diagnosticou como "maligno". Mas o patologista descartou, péptico. Do bloco para o CTI, do CTI para o tubo, do tubo para o ventilador. Traqueostomia, jejunostomia, a cicatriz cirúrgica abre. E seu Bilé lá. Impávido. Mal dava bola para ninguém. Quer dizer, quase ninguém. Quando a fisioterapeuta estava por perto, nem tirava o olho. E seu Bilé ia melhorando. Saiu do ventilador, saiu do CTI, tirou a traqueostomia. E quais foram suas primeiras palavras? Quero um cigarro.
E lá vou eu diariamente, preocupado, ver aquela titiquinha de gente. Fica lá deitado meio de banda na cama, todo cagado. Nunca me perguntou o que teve, nunca quis saber se era grave, nem mesmo se tinha câncer. Só quer mesmo saber quando é que vai poder tomar uns goles.
E lá vou eu diariamente, preocupado, ver aquela titiquinha de gente. Fica lá deitado meio de banda na cama, todo cagado. Nunca me perguntou o que teve, nunca quis saber se era grave, nem mesmo se tinha câncer. Só quer mesmo saber quando é que vai poder tomar uns goles.
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