Minha esposa tem uma família grande, dessas destes rincões perdidos deste Brasilzão... Gente simples, roça braba, mesmo não estando isolados do mundo. Um destes, dos mais velhos e mais roceiros -afinal permanece por lá - costumava criticar o próprio pai, em tom de chacota: "Meu pai era um canastrão, um sem poesia, não teve 12 filhos, jogou 12 filhos no mundo"!
Claro que o patriarca não era nada disto... Mas me chama atenção a expressão "sem poesia". Ah como estamos assim. Este mundo e suas pessoas me enfadam. Técnico, estéril, rasteiro, além de fútil é claro.
A poesia morreu. Não apenas a lírica, mas a lúdica e a diária. Só nos resta o lugar comum. Ou plágio mal feito. Ignoramos tudo e portanto não percebemos. Dinheiro e fama rápidas. Talento duvidoso.
Não lemos, muito menos escrevemos. Comunicar é o suficiente. MAs comunicar o que meu Deus? Acaso perdemos a alma e os mistérios insondáveis e indizíveis? Dois e dois são quatro. Mas e daí? Contruiremos, pontes, arranha-céus, usinas nucleares... Mas permaneceremos ignorantes de nós mesmos, escravos das aparências e vaidades, distantes de qualquer resposta com sentido em si mesma. Nem todas as compreesões podem ser postas em manuais. Embora tolamente tentemos...
Arrependamos enquanto há tempo. Por que às baratas só interessa sobreviver.
Crônicas e outras historinhas infames. Mal-humor, humor negro e outras coisinhas patológicas. Leia, reflita se for o caso, e não me amole.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
quarta-feira, setembro 09, 2009
Memória. O elo de eu entre ontem e hoje. A garantia de ir para a cama uma pessoa e acordar a continuidade dela. Lembrar não é apenas isto, mas reviver. Dizem que o tal inconciente não sabe distinguir o tempo...
Mas a danada, sendo uma característica humana, está longe de infalível. Todos nós, se pressionados por quaisquer circuntâncias, completamos as lacunas com uma boa dose de imaginação. Há de se proteger a integridade do ego... Não estamos concientemente floreando, estamos apenas dando uma sequência razoável à nossa interpretação dos fatos. Mentimos, mas mentimos com sinceridade.
Alguém uma vez disse que o tempo adoça as lembranças. É a mais pura verdade. Nas palavras de Drummond:
Memória
"Amar o perdido
deixa confundido
este coração. E afinal o que é melhor? A dura realidade sem maquiagem ou uma séries de lembranças mais ou menos verídicas de um passado já ido e cheio de significados? O bom tem de ser verdadeiro, mas ele também tem de ser útil.
Mas a danada, sendo uma característica humana, está longe de infalível. Todos nós, se pressionados por quaisquer circuntâncias, completamos as lacunas com uma boa dose de imaginação. Há de se proteger a integridade do ego... Não estamos concientemente floreando, estamos apenas dando uma sequência razoável à nossa interpretação dos fatos. Mentimos, mas mentimos com sinceridade.
Alguém uma vez disse que o tempo adoça as lembranças. É a mais pura verdade. Nas palavras de Drummond:
Memória
"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."
terça-feira, agosto 04, 2009
O supermercado ainda é pára mim, o misantropólogo amador, fonte profícua de observações e eventos curiosos. O supermercado, cumprindo sua função provedora de viveres, obriga boa parte de nossos companheiros de viagem para fora de suas tocas enquanto os mantém em relativo anonimato, deixando os à vontade para proceder como bem entenderem, imaginando-se seguros do percrutíneo e da críticas alheias. Ledo e proveitoso engano...
Dos espaços públicos, o supermercado é dos mais universais, embora restrições socioeconômicas imponham grandes perasá amostragem. Ele nos oferece o contato com pessoas que jamais teriamos chance de travar qualquer tipo de contato social e em um contexto singular por ser uma atividade cotidiana. Nada de verdades seculares, apenas o dia a dia, a verdade das pequenas coisas....
Enfim... Estava eu cumprindo minha obrigações rotineiras, quando ao longe avisto certo contemporâneo dos tempos de faculdade. Está acompanhado de uma mulher que julgo ser sua esposa e travam caloroso debate em frente a banca das verduras. Enquanto tento eleger algumas batatas vou me inteirando da discussão. Ela diz: " Acho que este deve ser espinafre!" enquanto brandia um pacote de agrião. Ele calado, ar confuso, procurava auxílio de alguém da loja.
Estupefato, eu fico imaginando para onde caminhamos... Não quero meus filhos achando que laranjas surgem ensacadas, que pêssegos nascem em latas e que a fazenda é um lugar onde as pessoas vão para relaxar no fim de semana.
Dos espaços públicos, o supermercado é dos mais universais, embora restrições socioeconômicas imponham grandes perasá amostragem. Ele nos oferece o contato com pessoas que jamais teriamos chance de travar qualquer tipo de contato social e em um contexto singular por ser uma atividade cotidiana. Nada de verdades seculares, apenas o dia a dia, a verdade das pequenas coisas....
Enfim... Estava eu cumprindo minha obrigações rotineiras, quando ao longe avisto certo contemporâneo dos tempos de faculdade. Está acompanhado de uma mulher que julgo ser sua esposa e travam caloroso debate em frente a banca das verduras. Enquanto tento eleger algumas batatas vou me inteirando da discussão. Ela diz: " Acho que este deve ser espinafre!" enquanto brandia um pacote de agrião. Ele calado, ar confuso, procurava auxílio de alguém da loja.
Estupefato, eu fico imaginando para onde caminhamos... Não quero meus filhos achando que laranjas surgem ensacadas, que pêssegos nascem em latas e que a fazenda é um lugar onde as pessoas vão para relaxar no fim de semana.
domingo, julho 12, 2009
Diz o senso comum que periodicamente deve-se parar, ainda que um breve momento, olhar para trás e reavaliar o caminho traçado até então. Se você tiver o mínimo de percepção, franqueza o suficiente consigo mesmo e oportunidade de mudança a experiência pode ser gratificante, se não transcendente.
Estes dias ando reavaliando o curso de meus passos. Não há dúvida que por vezes temos de fazer o necessário, e isto por vezes nos distancia do desejável. Cuidado ao cumprir obrigações, elas podem leva-lo para muito longe de onde você gostaria de estar. Mas não cumpri-las pode imobilizar-lhe as pernas. Daí a importância de parar e vislumbrar o caminho feito e à cumprir.
Hoje com boa parte de minhas obrigações cumpridas me vejo na obrigação de retomar coisas importantes a muito abandonadas. Hora de acalmar a besta furiosa e deixar de novo o homem florescer.
Estes dias ando reavaliando o curso de meus passos. Não há dúvida que por vezes temos de fazer o necessário, e isto por vezes nos distancia do desejável. Cuidado ao cumprir obrigações, elas podem leva-lo para muito longe de onde você gostaria de estar. Mas não cumpri-las pode imobilizar-lhe as pernas. Daí a importância de parar e vislumbrar o caminho feito e à cumprir.
Hoje com boa parte de minhas obrigações cumpridas me vejo na obrigação de retomar coisas importantes a muito abandonadas. Hora de acalmar a besta furiosa e deixar de novo o homem florescer.
domingo, dezembro 21, 2008
Afirmaria-lhes que a sorte não existe. Entretanto, com toda a sinceridade, não poderia afirma-lo como verdade em absoluto. Como homem esclarecido, independente e em plenas capacidades físicas, mentais e morais gostaria de afirma-lo, mas minha franqueza não o permite.
É evidente que a sorte favorece o mais bem preparado. Um cavaleiro inábil teria mais dificuldades em montar um cavalo arriado. Mas há circunstâncias em que estamos simplesmente nsob o jugo da deusa Fortuna. O desenlace final nos foge as capacidades e atos.
Deveriamos então nos entregar a tal força do destino? Evidente que não. O observador critico percebe com facilidade que tais eventos são assaz raros. Mesmo que encoberto aos olhos menos atentos, nossas circuntâncias são muito mais obras de nossa lavra do que de uma "conjunção astral desfavorável"...
Evidentemente um pouco de sorte não faz mal a ninguém. Mas não contei com o seu "bom espiríto" em todas as circuntâncias. A vida tem outros designios para a sua vida. E é melhor estar pronto. Fé cega, mas faca amolada.
É evidente que a sorte favorece o mais bem preparado. Um cavaleiro inábil teria mais dificuldades em montar um cavalo arriado. Mas há circunstâncias em que estamos simplesmente nsob o jugo da deusa Fortuna. O desenlace final nos foge as capacidades e atos.
Deveriamos então nos entregar a tal força do destino? Evidente que não. O observador critico percebe com facilidade que tais eventos são assaz raros. Mesmo que encoberto aos olhos menos atentos, nossas circuntâncias são muito mais obras de nossa lavra do que de uma "conjunção astral desfavorável"...
Evidentemente um pouco de sorte não faz mal a ninguém. Mas não contei com o seu "bom espiríto" em todas as circuntâncias. A vida tem outros designios para a sua vida. E é melhor estar pronto. Fé cega, mas faca amolada.
sexta-feira, outubro 24, 2008
A curiosidade é das características humanas mais peculiares... Se não tivessemos curisosos com o mundo, talvez não tivessemos descido da árvore, talvez não tivessemos aprendido a lidar com o fogo. Essa mania de perguntar o por que, de explorar as coisas exigindo explicações convincentes. Não só sobre as coisas, mas sobre as pessoas e as circunstâncias. Não queremos saber pela utilidade somente, queremos saber por que queremos saber. Bisbilhotices, fofocas, espionagem de baixo e alto escalão. Não medimos esforços e custos. Queremos saber. Aparelhos quebrados, relações estremecidas, segurança abalada. Tudo em nome da verdade, ainda que de ocasião.
Somos curiosos mórbidos. Como o peralta que sobe ao alto do viaduto apenas para cuspir lá de cima na multidão que passa. Vai olhar até o último instante e ver o resultado de seus atos, ainda que isto lhe custe a fuga e a presunção de inocência. Não basta ter uma noção das coisas, queremos os fatos. Com riqueza de detalhes. Custe o que custar.
Somos curiosos mórbidos. Como o peralta que sobe ao alto do viaduto apenas para cuspir lá de cima na multidão que passa. Vai olhar até o último instante e ver o resultado de seus atos, ainda que isto lhe custe a fuga e a presunção de inocência. Não basta ter uma noção das coisas, queremos os fatos. Com riqueza de detalhes. Custe o que custar.
quarta-feira, agosto 27, 2008
Para coroar uma vida bem vivida não deve haver nada melhor que morrer subitamente. Artérias que se rompem ou entopem, ritmos caóticos como a própria vida, estes sim nos salvarão.
Que Deus, (mesmo que o do acaso) não me permita definhar em uma cama. Nada mais indigno que lutar contra as inexoráveis forças do ocaso. Então sejamos breves.
Poder se arrempeder de todos os erros cometidos sem poder redimi-los. Mas talvez o orgulho possa morrer um pouco antes das forças. Por que a esperança é de fato uma senhora obstinada. Curai as dores da alma já que o corpo está perdido.
Que Deus, (mesmo que o do acaso) não me permita definhar em uma cama. Nada mais indigno que lutar contra as inexoráveis forças do ocaso. Então sejamos breves.
Poder se arrempeder de todos os erros cometidos sem poder redimi-los. Mas talvez o orgulho possa morrer um pouco antes das forças. Por que a esperança é de fato uma senhora obstinada. Curai as dores da alma já que o corpo está perdido.
terça-feira, agosto 26, 2008
Pelas definições habituais eu sou pagão. Não que eu adore um bezerro de ouro ou similares, mas por não ser batizado, eu sou pagão. Me deram a opção de escolher e eu escolhi. Nada. Não me apeteceu até o momento me converter a nenhuma religião "oficialmente" reconhecida.
Digamos que fui educado entre os cristãos e me simpatizo com algumas de suas crenças. Mas não o suficiente para engrossar suas fileiras.
Ser pagão nem é assim tão ruim. Estive no vaticano, vi o Papa (o vivo e o morto), entrei na capela sistina e não queimei. Mas eu sou apenas pagão, não herege. Desconfio que eles também não queimariam. Um Ser com infinito poder e sabedoria não iria ficar fulminando criaturinhas insignificantes como nós só por que falamos ou fazemos alguma bobagenzinha. Enfim...
Mas os cristãos tem uma série de feriados religiosos. Natal, Páscoa, Corpus Christi... Eles até podem não saber o que estão celebrando, mas eles se aproveitam das festividades. E nós os pagãos, o que temos? O carnaval. De hoje em diante não trabalharei mais nesta data. Alegarei motivos religiosos.
Digamos que fui educado entre os cristãos e me simpatizo com algumas de suas crenças. Mas não o suficiente para engrossar suas fileiras.
Ser pagão nem é assim tão ruim. Estive no vaticano, vi o Papa (o vivo e o morto), entrei na capela sistina e não queimei. Mas eu sou apenas pagão, não herege. Desconfio que eles também não queimariam. Um Ser com infinito poder e sabedoria não iria ficar fulminando criaturinhas insignificantes como nós só por que falamos ou fazemos alguma bobagenzinha. Enfim...
Mas os cristãos tem uma série de feriados religiosos. Natal, Páscoa, Corpus Christi... Eles até podem não saber o que estão celebrando, mas eles se aproveitam das festividades. E nós os pagãos, o que temos? O carnaval. De hoje em diante não trabalharei mais nesta data. Alegarei motivos religiosos.
quarta-feira, agosto 06, 2008
Estamos entrando novamente naquele período pavoroso chamado eleições. Eu sei que na teoria é muito bonito, sulfrágio universal, o povo define os rumos do país e essa lenga-lenga congênere. Apesar de que "a nível de município" as coisas tendem a ser um pouco mais pessoais.
Mas o que quero discorrer é sobre a campanha eleitoral. Todos sabemos que precisamos conhecer nossos candidatos para que possamos escolher, efetivamente, nossos dirigentes. O que é que podemos aprender com esse mar de panfletos, essas muralhas da China de cartazes e pinturas, ou mesmo o hilário programa eleitoral gratuíto? Nada além de que nossos candidatos não estão preparados para exercer o que propõe.
Fico aqui lembrando os gregos... O cidadão para ser representante na polis tinha alguns pré-requisitos, um deles era de ter seus problemas domésticos resolvidos. Motivo simples. Com seus problemas domésticos resolvidos, a tentação de misturar o público ao privado era menor. Não custa também lembrar que na Grécia antiga, voto era privilégio de alguns...
Pois pois... O que vejo é que a carreira pública virou uma espécie de "investimento". Com o fim das ideologias (houveram?), quem estaria disposto a investir tanto se não acreditasse em algum retorno?
Mas o que quero discorrer é sobre a campanha eleitoral. Todos sabemos que precisamos conhecer nossos candidatos para que possamos escolher, efetivamente, nossos dirigentes. O que é que podemos aprender com esse mar de panfletos, essas muralhas da China de cartazes e pinturas, ou mesmo o hilário programa eleitoral gratuíto? Nada além de que nossos candidatos não estão preparados para exercer o que propõe.
Fico aqui lembrando os gregos... O cidadão para ser representante na polis tinha alguns pré-requisitos, um deles era de ter seus problemas domésticos resolvidos. Motivo simples. Com seus problemas domésticos resolvidos, a tentação de misturar o público ao privado era menor. Não custa também lembrar que na Grécia antiga, voto era privilégio de alguns...
Pois pois... O que vejo é que a carreira pública virou uma espécie de "investimento". Com o fim das ideologias (houveram?), quem estaria disposto a investir tanto se não acreditasse em algum retorno?
sexta-feira, agosto 01, 2008
A vida é engraçada. Bom, aí depende de como você se relaciona com ela... Dizem que ela é uma comédia para os que pensam e uma tragédia para os que sentem... Eu sempre fui meio aparvalhado emocionalmente. Ou pelo menos é isto que eu alego.
Revendo minha trajetória posso dizer muita coisa. Menos que estou perseguindo meus sonhos. Mas sejamos sinceros... Eu não tenho sonhos, no sentido literal da palavra. Nunca quis comandar nada, nem ser reconhecido na rua ou muito menos ter mais dinheiro do que minha imaginação pudesse conseguir gastar. É claro que todos queremos ser amados e respeitados, mas isso nem é tão dificil, desde que você consiga perceber as pessoas. No fundo eu sou movido por uma espécie de obrigação moral de ser útil e uma curiosidade geral e diversificada. Tenho muito mais interesse em estudar (lato sensu) todas as coisas do que me tornar um especialista em algumas delas. Assim justifico minha falta de disciplina...
Quando crinça lembro de ter dito que queria ser bombeiro. Ninguém levou muito a sério. Muitos anos depois , na roleta russa da escolha profissional optei por fazer física. Imagine só. Provavelmente estaria hoje trancafiado em algum lugar, vivendo em um universo paralelo. Mas acabei me tornando médico. Intensivista. Trancafiado em um lugar qualquer, vigilante pelos que ameaçam partir. Uma especie de Caronte, só permitindo a travessia daqueles que já pagaram seu preço e cumprido seus rituais.
O fato é que outro momento de virada se aproxima, e eu não tenho a mínima idéia do que quero. Espero que aconteça como de costume, que o "acaso" me salve.
Revendo minha trajetória posso dizer muita coisa. Menos que estou perseguindo meus sonhos. Mas sejamos sinceros... Eu não tenho sonhos, no sentido literal da palavra. Nunca quis comandar nada, nem ser reconhecido na rua ou muito menos ter mais dinheiro do que minha imaginação pudesse conseguir gastar. É claro que todos queremos ser amados e respeitados, mas isso nem é tão dificil, desde que você consiga perceber as pessoas. No fundo eu sou movido por uma espécie de obrigação moral de ser útil e uma curiosidade geral e diversificada. Tenho muito mais interesse em estudar (lato sensu) todas as coisas do que me tornar um especialista em algumas delas. Assim justifico minha falta de disciplina...
Quando crinça lembro de ter dito que queria ser bombeiro. Ninguém levou muito a sério. Muitos anos depois , na roleta russa da escolha profissional optei por fazer física. Imagine só. Provavelmente estaria hoje trancafiado em algum lugar, vivendo em um universo paralelo. Mas acabei me tornando médico. Intensivista. Trancafiado em um lugar qualquer, vigilante pelos que ameaçam partir. Uma especie de Caronte, só permitindo a travessia daqueles que já pagaram seu preço e cumprido seus rituais.
O fato é que outro momento de virada se aproxima, e eu não tenho a mínima idéia do que quero. Espero que aconteça como de costume, que o "acaso" me salve.
quinta-feira, julho 31, 2008
As vezes me pego pensando no que vai ser da minha vida. Não faço a menor idéia de como conduzi-la em certas circunstâncias. Mas então me recordo de todas as coisas importantes que escolhi de fato. Nada.
Viver é mais ou menos como se afogar... Enquanto você está se debatendo, envolto naquela angustia inevitável, tentando em vão sobreviver aquele martírio, as coisas não tem solução. Mas uma hora, exausto, o corpo se entrega, compreeendendo a inutilidade da faina furiosa. Aí então transcende-se e o que resta é paz.
Viver é mais ou menos como se afogar... Enquanto você está se debatendo, envolto naquela angustia inevitável, tentando em vão sobreviver aquele martírio, as coisas não tem solução. Mas uma hora, exausto, o corpo se entrega, compreeendendo a inutilidade da faina furiosa. Aí então transcende-se e o que resta é paz.
sexta-feira, julho 25, 2008
Se você quiser realmente destruir a vida de alguém e puder contar com a magia, mate a paixão pela vida. Não estou falando de suicidio e do desejo de morte. Estou falando do desejo de continuar, de ver o amanhã, de sentir que o tempo não passa em vão. Ou não sentir o tempo. O tempo certamente é a única coisa de que dispomos, nossa única moeda de troca.
Tempo é opção, ainda que não sejam muitas.
A vida tem o sentido que damos a ela. Estar a deriva não é tanto a questão se não temos para onde ir.
A existência é como uma ampulheta. podemos encara-la com a areia que já fluiu, as coisas findas. Ou como a areia que ainda descerá para a câmara inferior, as coisas vindouras. Ou talvez o segredo seja se ater à areia que não está no porvir nem do preterido, mas em sua tênue e percepitível transformação.
Carpe Diem!
Tempo é opção, ainda que não sejam muitas.
A vida tem o sentido que damos a ela. Estar a deriva não é tanto a questão se não temos para onde ir.
A existência é como uma ampulheta. podemos encara-la com a areia que já fluiu, as coisas findas. Ou como a areia que ainda descerá para a câmara inferior, as coisas vindouras. Ou talvez o segredo seja se ater à areia que não está no porvir nem do preterido, mas em sua tênue e percepitível transformação.
Carpe Diem!
quarta-feira, novembro 14, 2007
Perspectiva... Talvez seja esse uns dos maiores segredos da vida...
Eutenho um conhecido que eu simplesmente odiava em situação "A". Não chegava no horário, saia mais cedo, atrapalhava minhas atividades, bajulava em demasia o chefe, não pensava para fazer as coisas, era tecnicamente fraco e so on...
Hoje em situação "B" ele me surpreende. Não que ele tenha se tornado brilhante, ou sobressaia sobre a média. Muito antes pelo contrário. Ele é excelentemente mediocre, mas cumpre a risca o esperado. Protocolarmente exemplar. Cumpre o seu papel. Acho que de tento errar, acabou aprendendo.
Prestem atenção crianças! Ao aprender com seus erros, concentrem-se na parte do aprender, não na dos erros.
Eutenho um conhecido que eu simplesmente odiava em situação "A". Não chegava no horário, saia mais cedo, atrapalhava minhas atividades, bajulava em demasia o chefe, não pensava para fazer as coisas, era tecnicamente fraco e so on...
Hoje em situação "B" ele me surpreende. Não que ele tenha se tornado brilhante, ou sobressaia sobre a média. Muito antes pelo contrário. Ele é excelentemente mediocre, mas cumpre a risca o esperado. Protocolarmente exemplar. Cumpre o seu papel. Acho que de tento errar, acabou aprendendo.
Prestem atenção crianças! Ao aprender com seus erros, concentrem-se na parte do aprender, não na dos erros.
terça-feira, setembro 11, 2007
A única coisa que tem alguma utilidade em aniversários - e de certa forma qualquer rito de passagem- é a oportunidade para retrospectiva crítica e (re)planejamento de metas. Sim, afinal o tempo é um contínuo e não uma série de intervalos predeterminados per se... Nós é que temos este estranho hábito de esquartejar, escrutinar e classificar.
Enfim... Escruninando e classificando o passado achei coisas perdidas, coisas que não deveriam ter sido perdidas. Ou talvez não tenham sido perdidas, sacrificadas talvez em necessidade genuina da realidade premente. E negar as concretudes do real nunca foi meu forte.
Mas haverão outros períodos arbitrariamente definidos de tempo em que, o tema será o resgate, a reconstrução de coisas deixadas de lado, temporariamente. Alías, não conheço nada menos definitivo que o errar humano.
Enfim... Escruninando e classificando o passado achei coisas perdidas, coisas que não deveriam ter sido perdidas. Ou talvez não tenham sido perdidas, sacrificadas talvez em necessidade genuina da realidade premente. E negar as concretudes do real nunca foi meu forte.
Mas haverão outros períodos arbitrariamente definidos de tempo em que, o tema será o resgate, a reconstrução de coisas deixadas de lado, temporariamente. Alías, não conheço nada menos definitivo que o errar humano.
segunda-feira, agosto 13, 2007
Tem dias que tudo que se precisa para melhorar o dia são pequenos fatos inesperados. Não precisa ser nenhuma megasena, nenhuma queda da Bastilha, nenhum Nobel, Oscar ou similares...
Pode ser uma folga inesperada, uma notícia de alguém semienterrado nas areias do passado, uma certeza concretizada, um brinquedo novo, uma cancão nostálgica, umas horinhas a mais de sono ou vadiagem...
A aridez do dia a dia precisa de pequenas mangueirinhas de irrigação, não de transposições de rios.
Pode ser uma folga inesperada, uma notícia de alguém semienterrado nas areias do passado, uma certeza concretizada, um brinquedo novo, uma cancão nostálgica, umas horinhas a mais de sono ou vadiagem...
A aridez do dia a dia precisa de pequenas mangueirinhas de irrigação, não de transposições de rios.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Laços de família
É curioso reparar nas coisas que dão união aos grupos familiares. ponho reparo na família de minha mãe por exemplo. Treze irmãos, personalidades distintas, rinhas entre alguns membros, mas obviamente permanecem família. Mas há uma linha mestra, um roteiro geral. Além da soberba e da tendência a beligerância, fruto de uma mistura lusogermânica, temos também uma forte tendência à doença ulcerosa péptica. Doença alías já documentada em nove dos treze, sendo que quatro se recusam a se submeter ao tão desagradável procedimento conhecido como endoscopia.
As ulcéras pépticas, alías, me propiciaram uma oportunidade única, a de conhecer meu tio mais velho, Tião, carinhosamente apelidado de Urtigão pelos seus, graças aos seus pronunciados hábitos misantropos e isolamento, que permanecem até o momento. Vivendo isolado no Carapés, fazenda da família em algum rincão do vale do Jequitinhonha, me faz o favor de perfurar a sua úlcera. Após uma atribulada visita a Diamantina, é enviado à nossa casa, na época referência absoluta dos problemas familiares, para recuperação.
E então, eu ainda criança, observava maravilhado aquela figura esmilhinguida e desgrenhada sentada à mesa do café, a devorar ovos cozidos e mingau de fubá com queijo. Cumpriu resguardo e se mandou. Nunca mais o vi. Sei que anda refugiado pelo Carapés, recebendo os poucos visitantes a bala.
As ulcéras pépticas, alías, me propiciaram uma oportunidade única, a de conhecer meu tio mais velho, Tião, carinhosamente apelidado de Urtigão pelos seus, graças aos seus pronunciados hábitos misantropos e isolamento, que permanecem até o momento. Vivendo isolado no Carapés, fazenda da família em algum rincão do vale do Jequitinhonha, me faz o favor de perfurar a sua úlcera. Após uma atribulada visita a Diamantina, é enviado à nossa casa, na época referência absoluta dos problemas familiares, para recuperação.
E então, eu ainda criança, observava maravilhado aquela figura esmilhinguida e desgrenhada sentada à mesa do café, a devorar ovos cozidos e mingau de fubá com queijo. Cumpriu resguardo e se mandou. Nunca mais o vi. Sei que anda refugiado pelo Carapés, recebendo os poucos visitantes a bala.
terça-feira, novembro 07, 2006
Vivo ouvindo dizer que o escultor não esculpe nada, ele apenas liberta da rocha crua a forma que lá estava aprisionada. Balela. Todo inapto aventuroso sabe por experiência que a única coisa que se liberta da rocha são lascas. A coisa exige muita técnica, muita "expertise". A rocha não tem alma, nós é que emprestamos um pouquinho da nossa a ela.
Talvez por isto mesmo temos tantos artistas fracassados e/ou incompreendidos e tanta porcaria sendo aplaudida. Alma não se vende no supermercado.
Apesar de que dizem que dá para vender por um punhado grande de dinheiros.
Talvez por isto mesmo temos tantos artistas fracassados e/ou incompreendidos e tanta porcaria sendo aplaudida. Alma não se vende no supermercado.
Apesar de que dizem que dá para vender por um punhado grande de dinheiros.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Estou envolvido e um não sei o que de indiferença. Não, não fiquei autista nem estou mexendo com drogas. Nem tampouco me alienei. Só está um tanto difícil de envolver com a realidade não muito imediata.
Ainda dou fé dos fatos sociais mais relevantes, como catástrofes (políticas ou naturais), acompanho de bem longe o desempenho do meu time, ainda sei quando serão os próximos feriados... Mas fica por aí. Já não me importava mesmo com o mundinho entediante das celebridades, acho que a perda é no "plus"... Mas como o convívio social está precário também...
Ler faz muita falta pra quem sabe fazê-lo.
Ainda dou fé dos fatos sociais mais relevantes, como catástrofes (políticas ou naturais), acompanho de bem longe o desempenho do meu time, ainda sei quando serão os próximos feriados... Mas fica por aí. Já não me importava mesmo com o mundinho entediante das celebridades, acho que a perda é no "plus"... Mas como o convívio social está precário também...
Ler faz muita falta pra quem sabe fazê-lo.
quinta-feira, outubro 12, 2006
Eu me cansei de política. Erro terrível. Não é por que o agente é ruim que o método é ruim. A política, com todos os seus defeitos, ainda é o melhor caminho para a solução do comum.
Se abster ou não opinar é uma opção ideológica pertinente, entranto, se julgado racionalmente não passa de um tiro no pé. Afinal, se você se cala, alguém irá falar, se você se omite, alguém se apresenta, se você não decide, alguém decide por você.
A grande questão é que o processo político se afastou da vida cotidiana. Acreditamos que a tal da festa da democracia só ocorre durante as eleições. Ledo engano, votar é apenas o começo da vida política. Mas a coisa se tornou tão impessoal, diluida em nossas dimensões continentais e vazios cívicos, que sempre conjugamos os verbos em terceira pessoa.
Haverá remédio para nossa indiferença? Haverá cura para esta enorme manipulação e demagogia? Terão os ideais de bem comum ainda algum apelo que possa comover os tais projetos políticos maquiavélicos?
Eu, constrangido, duvido muito. Não há muito que se possa fazer da frente da telinha azul.
Se abster ou não opinar é uma opção ideológica pertinente, entranto, se julgado racionalmente não passa de um tiro no pé. Afinal, se você se cala, alguém irá falar, se você se omite, alguém se apresenta, se você não decide, alguém decide por você.
A grande questão é que o processo político se afastou da vida cotidiana. Acreditamos que a tal da festa da democracia só ocorre durante as eleições. Ledo engano, votar é apenas o começo da vida política. Mas a coisa se tornou tão impessoal, diluida em nossas dimensões continentais e vazios cívicos, que sempre conjugamos os verbos em terceira pessoa.
Haverá remédio para nossa indiferença? Haverá cura para esta enorme manipulação e demagogia? Terão os ideais de bem comum ainda algum apelo que possa comover os tais projetos políticos maquiavélicos?
Eu, constrangido, duvido muito. Não há muito que se possa fazer da frente da telinha azul.
sexta-feira, outubro 06, 2006
Hoje que eu compreendo que esse negócio de ideologia não existe, muitas situações mudaram de perspectiva.
Por exemplo: aquela reunião de malditos num cu sujo qualquer da zona "boêmia" de qualquer capital a maldizer da vida, execrar o sistema e praguejar contra os vendidos e vitoriosos. Não tem nada de romântico, nem de ideal.
É apenas um bando de desajustados socialmente, completamente derrotados que usam esses argumentos batidos de ideologia para justificar seus fracassos.
Se são tão geniais assim, por que estão tão fundo na lama?
Lutar contra os sitema quando se está a margem é fácil. Quero ver é manter a linha no conforto...
Por exemplo: aquela reunião de malditos num cu sujo qualquer da zona "boêmia" de qualquer capital a maldizer da vida, execrar o sistema e praguejar contra os vendidos e vitoriosos. Não tem nada de romântico, nem de ideal.
É apenas um bando de desajustados socialmente, completamente derrotados que usam esses argumentos batidos de ideologia para justificar seus fracassos.
Se são tão geniais assim, por que estão tão fundo na lama?
Lutar contra os sitema quando se está a margem é fácil. Quero ver é manter a linha no conforto...
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