Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Minha esposa tem uma família grande, dessas destes rincões perdidos deste Brasilzão... Gente simples, roça braba, mesmo não estando isolados do mundo. Um destes, dos mais velhos e mais roceiros -afinal permanece por lá - costumava criticar o próprio pai, em tom de chacota: "Meu pai era um canastrão, um sem poesia, não teve 12 filhos, jogou 12 filhos no mundo"!
Claro que o patriarca não era nada disto... Mas me chama atenção a expressão "sem poesia". Ah como estamos assim. Este mundo e suas pessoas me enfadam. Técnico, estéril, rasteiro, além de fútil é claro.
A poesia morreu. Não apenas a lírica, mas a lúdica e a diária. Só nos resta o lugar comum. Ou plágio mal feito. Ignoramos tudo e portanto não percebemos. Dinheiro e fama rápidas. Talento duvidoso.
Não lemos, muito menos escrevemos. Comunicar é o suficiente. MAs comunicar o que meu Deus? Acaso perdemos a alma e os mistérios insondáveis e indizíveis? Dois e dois são quatro. Mas e daí? Contruiremos, pontes, arranha-céus, usinas nucleares... Mas permaneceremos ignorantes de nós mesmos, escravos das aparências e vaidades, distantes de qualquer resposta com sentido em si mesma. Nem todas as compreesões podem ser postas em manuais. Embora tolamente tentemos...
Arrependamos enquanto há tempo. Por que às baratas só interessa sobreviver.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Memória. O elo de eu entre ontem e hoje. A garantia de ir para a cama uma pessoa e acordar a continuidade dela. Lembrar não é apenas isto, mas reviver. Dizem que o tal inconciente não sabe distinguir o tempo...
Mas a danada, sendo uma característica humana, está longe de infalível. Todos nós, se pressionados por quaisquer circuntâncias, completamos as lacunas com uma boa dose de imaginação. Há de se proteger a integridade do ego... Não estamos concientemente floreando, estamos apenas dando uma sequência razoável à nossa interpretação dos fatos. Mentimos, mas mentimos com sinceridade.
Alguém uma vez disse que o tempo adoça as lembranças. É a mais pura verdade. Nas palavras de Drummond:

Memória

"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."

E afinal o que é melhor? A dura realidade sem maquiagem ou uma séries de lembranças mais ou menos verídicas de um passado já ido e cheio de significados? O bom tem de ser verdadeiro, mas ele também tem de ser útil.

Terça-feira, Agosto 04, 2009

O supermercado ainda é pára mim, o misantropólogo amador, fonte profícua de observações e eventos curiosos. O supermercado, cumprindo sua função provedora de viveres, obriga boa parte de nossos companheiros de viagem para fora de suas tocas enquanto os mantém em relativo anonimato, deixando os à vontade para proceder como bem entenderem, imaginando-se seguros do percrutíneo e da críticas alheias. Ledo e proveitoso engano...
Dos espaços públicos, o supermercado é dos mais universais, embora restrições socioeconômicas imponham grandes perasá amostragem. Ele nos oferece o contato com pessoas que jamais teriamos chance de travar qualquer tipo de contato social e em um contexto singular por ser uma atividade cotidiana. Nada de verdades seculares, apenas o dia a dia, a verdade das pequenas coisas....
Enfim... Estava eu cumprindo minha obrigações rotineiras, quando ao longe avisto certo contemporâneo dos tempos de faculdade. Está acompanhado de uma mulher que julgo ser sua esposa e travam caloroso debate em frente a banca das verduras. Enquanto tento eleger algumas batatas vou me inteirando da discussão. Ela diz: " Acho que este deve ser espinafre!" enquanto brandia um pacote de agrião. Ele calado, ar confuso, procurava auxílio de alguém da loja.
Estupefato, eu fico imaginando para onde caminhamos... Não quero meus filhos achando que laranjas surgem ensacadas, que pêssegos nascem em latas e que a fazenda é um lugar onde as pessoas vão para relaxar no fim de semana.

Domingo, Julho 12, 2009

Diz o senso comum que periodicamente deve-se parar, ainda que um breve momento, olhar para trás e reavaliar o caminho traçado até então. Se você tiver o mínimo de percepção, franqueza o suficiente consigo mesmo e oportunidade de mudança a experiência pode ser gratificante, se não transcendente.
Estes dias ando reavaliando o curso de meus passos. Não há dúvida que por vezes temos de fazer o necessário, e isto por vezes nos distancia do desejável. Cuidado ao cumprir obrigações, elas podem leva-lo para muito longe de onde você gostaria de estar. Mas não cumpri-las pode imobilizar-lhe as pernas. Daí a importância de parar e vislumbrar o caminho feito e à cumprir.
Hoje com boa parte de minhas obrigações cumpridas me vejo na obrigação de retomar coisas importantes a muito abandonadas. Hora de acalmar a besta furiosa e deixar de novo o homem florescer.

Domingo, Dezembro 21, 2008

Afirmaria-lhes que a sorte não existe. Entretanto, com toda a sinceridade, não poderia afirma-lo como verdade em absoluto. Como homem esclarecido, independente e em plenas capacidades físicas, mentais e morais gostaria de afirma-lo, mas minha franqueza não o permite.
É evidente que a sorte favorece o mais bem preparado. Um cavaleiro inábil teria mais dificuldades em montar um cavalo arriado. Mas há circunstâncias em que estamos simplesmente nsob o jugo da deusa Fortuna. O desenlace final nos foge as capacidades e atos.
Deveriamos então nos entregar a tal força do destino? Evidente que não. O observador critico percebe com facilidade que tais eventos são assaz raros. Mesmo que encoberto aos olhos menos atentos, nossas circuntâncias são muito mais obras de nossa lavra do que de uma "conjunção astral desfavorável"...
Evidentemente um pouco de sorte não faz mal a ninguém. Mas não contei com o seu "bom espiríto" em todas as circuntâncias. A vida tem outros designios para a sua vida. E é melhor estar pronto. Fé cega, mas faca amolada.

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

A curiosidade é das características humanas mais peculiares... Se não tivessemos curisosos com o mundo, talvez não tivessemos descido da árvore, talvez não tivessemos aprendido a lidar com o fogo. Essa mania de perguntar o por que, de explorar as coisas exigindo explicações convincentes. Não só sobre as coisas, mas sobre as pessoas e as circunstâncias. Não queremos saber pela utilidade somente, queremos saber por que queremos saber. Bisbilhotices, fofocas, espionagem de baixo e alto escalão. Não medimos esforços e custos. Queremos saber. Aparelhos quebrados, relações estremecidas, segurança abalada. Tudo em nome da verdade, ainda que de ocasião.
Somos curiosos mórbidos. Como o peralta que sobe ao alto do viaduto apenas para cuspir lá de cima na multidão que passa. Vai olhar até o último instante e ver o resultado de seus atos, ainda que isto lhe custe a fuga e a presunção de inocência. Não basta ter uma noção das coisas, queremos os fatos. Com riqueza de detalhes. Custe o que custar.

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Para coroar uma vida bem vivida não deve haver nada melhor que morrer subitamente. Artérias que se rompem ou entopem, ritmos caóticos como a própria vida, estes sim nos salvarão.
Que Deus, (mesmo que o do acaso) não me permita definhar em uma cama. Nada mais indigno que lutar contra as inexoráveis forças do ocaso. Então sejamos breves.
Poder se arrempeder de todos os erros cometidos sem poder redimi-los. Mas talvez o orgulho possa morrer um pouco antes das forças. Por que a esperança é de fato uma senhora obstinada. Curai as dores da alma já que o corpo está perdido.

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